Segunda-feira, 22 de Novembro de 2004

ESPANHA – GUERRA CIVIL (27)

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FRANQUISMO E PÓS-FRANQUISMO

Como se disse, a ditadura de Franco foi terrivelmente repressiva, cruel na liquidação das diferenças, obscurantista no seu clericalismo sufocante. Para além dos fuzilados e dos prisioneiros e dos trabalhos forçados a que os vencidos foram sujeitos. Já falámos na vergonha sádica que é o Vale dos Caídos, perto de Madrid. Mas, para os portugueses que costumam visitar Sevilha e apreciar o canal do Guadalquivir, talvez valha a pena lembrar-lhes que aquela obra de engenharia e trabalho extensivo e intensivo foi construídos por trabalhadores forçados, milhares de vencidos que ali penaram ter estado do lado da República e da democracia quando a Espanha se encharcou no sangue da guerra.

Já falámos também como é que Franco (igual com Salazar) conseguiu sobreviver à derrota do nazi-fascismo em 1945.

Bascos, galegos, valencianos e catalães foram proibidos, durante todo o franquismo, de falarem as suas línguas e exibirem os seus símbolos culturais. Usar uma destas línguas em público era motivo suficiente para cumprir pena de prisão.

No entanto, o fascismo franquista teve capacidade de adaptação e de mudança. Inicialmente em regime de oligarquia, a Espanha abriu-se às multinacionais e ao capital estrangeiro, criou, em ligação com a Igreja Católica uma rede de novos empresários e de novos políticos, através dessa espécie de calvinismo católico que é a Opus Dei, dirigida por um padre espanhol e franquista, tão retintamente franquista que recentemente foi beatificado por João Paulo II porque, pelos vistos, ainda lhe sobrou talento para fazer uns tantos milagres. A partir de 1956, a insatisfação e a luta agitaram a Universidade de Madrid e criou-se uma nova geração de descontentes e de oposicionistas. Por não estar preso a um império colonial, o franquismo conseguiu modernizar os seus laços económicos com as antigas colónias latino-americanas, construindo aí um enorme mercado de escoamento para as suas mercadorias.
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<img alt="es1931[1].gif" src="http://botaacima.blogs.sapo.pt/arquivo/es1931[1].gif" width="205" height="148" border="0" /><br><br><b>FRANQUISMO E PÓS-FRANQUISMO</b><br><br>Como se disse, a ditadura de Franco foi terrivelmente repressiva, cruel na liquidação das diferenças, obscurantista no seu clericalismo sufocante. Para além dos fuzilados e dos prisioneiros e dos trabalhos forçados a que os vencidos foram sujeitos. Já falámos na vergonha sádica que é o Vale dos Caídos, perto de Madrid. Mas, para os portugueses que costumam visitar Sevilha e apreciar o canal do Guadalquivir, talvez valha a pena lembrar-lhes que aquela obra de engenharia e trabalho extensivo e intensivo foi construídos por trabalhadores forçados, milhares de vencidos que ali penaram ter estado do lado da República e da democracia quando a Espanha se encharcou no sangue da guerra.<br><br>Já falámos também como é que Franco (igual com Salazar) conseguiu sobreviver à derrota do nazi-fascismo em 1945.<br><br>Bascos, galegos, valencianos e catalães foram proibidos, durante todo o franquismo, de falarem as suas línguas e exibirem os seus símbolos culturais. Usar uma destas línguas em público era motivo suficiente para cumprir pena de prisão.<br><br>No entanto, o fascismo franquista teve capacidade de adaptação e de mudança. Inicialmente em regime de oligarquia, a Espanha abriu-se às multinacionais e ao capital estrangeiro, criou, em ligação com a Igreja Católica uma rede de novos empresários e de novos políticos, através dessa espécie de calvinismo católico que é a Opus Dei, dirigida por um padre espanhol e franquista, tão retintamente franquista que recentemente foi beatificado por João Paulo II porque, pelos vistos, ainda lhe sobrou talento para fazer uns tantos milagres. A partir de 1956, a insatisfação e a luta agitaram a Universidade de Madrid e criou-se uma nova geração de descontentes e de oposicionistas. Por não estar preso a um império colonial, o franquismo conseguiu modernizar os seus laços económicos com as antigas colónias latino-americanas, construindo aí um enorme mercado de escoamento para as suas mercadorias.<br<br>Pelos traumas da repressão, pelos efeitos da normalização em que os valores da República ficaram tabu, pelas alterações de gerações e de mudanças económicas, a querela da guerra civil foi, quase consensualmente, considerada uma questão do passado sem nada acrescentar à resolução dos problemas de Espanha.<br><br>A transição democrática, com direito a rei, realizou-se com a celebração de um pacto de silêncio celebrado entre os franquistas de ontem (hoje, albergados no PP), socialistas, comunistas e nacionalistas/regionalistas/autonomistas. Por esse pacto, durante muitos anos, a guerra civil de Espanha foi assunto tabu. Um dos seus efeitos, foi que, por um lado, a esquerda e os democratas ficaram sem um dos seus patrimónios de memória e de luta, como se equivalessem aos hierarcas franquistas que se tinham aproveitado da ditadura, servindo-a. Entretanto, e julgo que muito pior, as gerações que viveram e cresceram depois de 1975, em democracia, ficaram sem referências de passado e sem o apoio da memória colectiva. Felizmente, esta situação está em mudança por insuportável. A guerra civil de Espanha, lentamente, está a ser lembrada e discutida entre espanhóis. Com a vantagem de que a distância em tempo e em gerações, mais a perda de energia dos que nela combateram (num e noutro lado), provavelmente possibilitará que a apreciação histórica e política, seja suficientemente desapaixonada para não abrir feridas. E, desta forma, a memória colectiva daqueles povos adquire uma continuidade histórica, repondo o marco de que, em tempos, foram República e foram democracia e que, pelo menos, metade dos espanhóis, de então, deram ou arriscaram a vida pela causa republicana. Fica a curiosidade de saber se quererão que o rei que lhes sobrou como herança, lá continue para garantir as boas tiragens da Hola com reportagens e fofocas sobre namoros, casamentos, divórcios, baptizados e viagens da malta da realeza.<br><br><i>(na imagem, a bandeira traída pelos golpistas, a bandeira dos que combateram pela democracia, a bandeira de República Espanhola)</i>
publicado por João Tunes às 15:49
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1 comentário:
De fernando a 1 de Junho de 2006 às 04:19
Muy buen reportaje has hecho. Exelentes fotografías. Recibe un saludo.
FGR.


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