Segunda-feira, 22 de Novembro de 2004

ESPANHA – GUERRA CIVIL (26)

Espanha26.JPG

SALAZAR E FROANCO

Salazar jogou em Espanha, antes do mais, a sobrevivência da sua ditadura.

O apoio efectivo a Franco foi acompanhado de uma radicalização do regime, iniciando-se a fase da sua maior intensidade de cópia do modelo fascista. O perigo rojo em Espanha, serviu para intensificar a histeria na adesão a Salazar. Foi, com pretexto da guerra em Espanha, que se criaram a Legião Portuguesa e a Mocidade Portuguesa, as milícias para-militares do fascismo português. A PIDE (então chamada PVDE) foi reorganizada e aumentou de meios e de poder.

Portugal funcionou como retaguarda segura e apoio multifacetado para Franco e foi uma peça importante para a sua vitória.

Entretanto, Salazar olhava com preocupação a propaganda falanguista que, no seu anexionismo de base, considerava que o território português fazia parte da Grande Espanha. Só com a transformação, por ordem de Franco, da Falangue num corpo heterogéneo que refreava o fascismo puro das suas origens, tornando-o num corpo de apoio ao poder total do Generalíssimo, muito à imagem da portuguesa União Nacional, é que Salazar descansou sobre a atitude da Espanha falanguista para com o território português. E, é claro, abençoou a viragem para o clericalismo católico como factor dominante da ideologia do Estado. Com pequenas diferenças, lá seguiu-se um modelo próximo das lições do ditador português.

No final da guerra, a aliança de combate iria transformar-se numa aliança de conservação das duas ditaduras, através do célebre Pacto Ibérico, e iria transformar toda a península ibérica numa mancha ditatorial, repressiva e obscurantista que se prolongou até 1974-1975. Sobretudo, porque a guerra fria evitou que os dois ditadores prestassem contas da aliança com o nazi-fascismo derrotado em 1945, invocando ambos os seus méritos de anticomunistas eficazes. E as democracias que, antes se tinham comportado vergonhosamente com Espanha, voltaram a fazer valer o pragmatismo descarnado e, sem escrúpulo, conservaram o poder dos dois ditadores como aliados na luta contra o inimigo maior, absolvendo-os tacitamente das suas culpas anti-democráticas.

Curiosamente, quando a ditadura portuguesa cai de podre em 1974, dando lugar a uma revolução, o susto é tal em Espanha (Franco só morreu em 1975) que, por receio de repetição de dose da mesma receita, leva os franquistas espanhóis, logo a seguir ao enterro de Franco no Vale dos Caídos, a prepararem e negociarem a transição democrática e o pacto de silêncio, tendo o rei indicado e preparado por Franco como moderador e símbolo de pacificação e de unidade. O que parece confirmar a convicção que, de facto, uma ditadura não sobreviveria sem a outra. Duraram enquanto duraram, e duraram muito, quando uma caiu a outra não se aguentou. Com toda a probabilidade, o inverso (se se tivesse dado primeiro a queda da ditadura espanhola) também se verificaria. Ao fim e ao cabo, Salazar e Franco souberam tecer, para mal dos povos peninsulares, duas ditaduras siamesas.

(na foto, um abraço entre dois velhos e fiéis amigos e aliados)
publicado por João Tunes às 15:51
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