Segunda-feira, 7 de Junho de 2004

SOBRE O DIA D

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Vital Moreira colocou um excelente post que ajuda a colocar o necessário relativismo histórico num dos frequentes mitos com que tropeçamos. No caso, sobre o panegírico da gesta do Dia D na Normandia e que é frequentemente apresentado como uma das dívidas eternas da Europa para com os Estados Unidos. E sabemos bem que as comemorações deste ano tiveram fins precisos de propaganda: apagar a má relação de Bush com a Europa, tentar diluir, através da memória de uma “boa guerra”, a “péssima guerra” lá de Bagdad.

De facto, o Dia D foi decisivo mas teve um enquadramento noutras gestas e, sem elas, há heroificação mas não há verdade histórica. Portanto não há História. Quase todas essas outras gestas foram referidas por VM.

Mas, contrariando um mito e uma hipervalorização unipolar, VM, conscientemente ou sem dar por isso, acaba por apresentar uma versão velha, antinómica mas que vem das catacumbas da “guerra fria” – a versão “antifascista” e filosoviética da II GM. Porque:

a) VM fala do “neutralismo” americano mas esquece o Pacto germano-soviético (1939-1941, mais ou menos a mesma duração da “neutralidade americana”) e as suas consequências. E, se tivermos o sentido do peso das consequências históricas, poucos factores deram tanto alento à investida nazi que a disponibilidade soviética não só em se aliar a Hitler como, na fase inicial da guerra, repartir com ele o saque da Polónia e da Europa do Norte. Depois desta vergonhosa aliança, difícil seria exigir aos Estados Unidos a adopção de uma filosofia intervencionista e militante. Assim, para sermos justos, temos de conceder que, se os Estados Unidos tiveram uma fase de “neutralidade”, outros houve que foram “colaboracionistas”.

b) A “dramática resistência da União Soviética” e a “inversão do curso da guerra na batalha de Estalinegrado” são factos da maior relevância relativamente ao conflito. Mas, os seus custos e o seu significado, devem-se, antes do mais (o seu a seu dono), às ilusões de Moscovo para com a aliança com Berlim e à forma incompetente (dramaticamente incompetente) como Estaline enfrentou os nazis no seu avanço por terras soviéticas dentro em que sobrelevam: o desprezo pelos avisos da espionagem e da Inglaterra, a decapitação dos oficiais do exército Vermelho, a inexistência de um plano de resposta à invasão pelos alemães.

c) É velha e conhecida a versão de que “a resistência nacional dos países ocupados foi sobretudo motivada pela ideia de libertação nacional em relação à ocupação alemã”. Certíssimo. Isto é, onde aconteceu. E quando aconteceu. Mas não deixa de ser um exagero, sobre uma fase de profunda estalinização do Komintern e dos PC’s, dizer que esta resistência foi “protagonizada pelas forças democráticas internas (e em especial a esquerda)”. A esta distância, sabe-se o que essas “forças democráticas internam” eram e o que fizeram onde puderam levar a “libertação” até às últimas consequências – a “democracia popular”. Ainda, goste-se ou não, a “resistência antifascista” seguiu sempre os ditames do Komintern. Basta lembrar que o PCF negociou com os ocupantes nazis durante o Pacto germano-soviético e o “maquis” desenvolveu-se apenas depois do ataque nazi à URSS. Chamar ainda hoje de “forças democráticas” a organizações que se regeram, tão somente, pelas instruções do Komintern e pelos interesses da União Soviética (independentemente da valentia demonstrada e dos seus mártires), é, no mínimo, para um democrata com provas dadas como é VM, um anacronismo ou uma saudade de referenciais.

Retomo o que disse no início – considero que o post de VM ajuda a equilibrar os excessos de heroificação descarnada do Dia D e daquilo que a Europa deve aos EUA na sua libertação do domínio da pata nazi. Mas, no meu entender, ele peca por ter respondido a um “excesso” com “excesso e meio”.
publicado por João Tunes às 23:52
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UMA LIÇÃO EM MEIA HORA

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O sol já estava a querer deitar-se. O Advogado foi breve e taxativo: amanhã, às dez horas da manhã, preciso dos nomes das testemunhas. O prazo não dava outra alternativa. Tinha que ser.

Meti-me no Metro e fui apanhar o comboio a Entrecampos. Tinha pressa de chegar a casa e fazer os contactos. Aproveitaria a viagem de vinte minutos para imaginar uma lista de fraternos. Não sei como, enganei-me no comboio e fui parar a Alcântara. Tentei recuperar o tempo perdido e refazer o trajecto no menor espaço possível de tempo. Quando cheguei ao parque de estacionamento, onde tinha deixado o carro, já a noite era minha companheira. E o prazo? Pois, o prazo. E não podia indicar nomes sem ter concordâncias prévias.

Sentei-me num banco, debaixo de um candeeiro para usar a luz pública. Puxei do telemóvel e comecei. O primeiro contacto eram favas contadas. Pensei até que ia honrar a pessoa em questão. Não ia falhar. Falhou.

Voltei à estação para beber um café e recompor a confiança abalada. Bebi de pé para não perder tempo. Não soube a nada. A boca estava por demais seca para receber sabores. Mas o importante era não perder tempo. Sem perder a esperança.

Pendurei-me, outra vez, no telemóvel. Todos foram tiros em cheio. Mesmo os do fim, os que estavam no grupo dos duvidosos. Afinal a lista estava bem, só a cabeça da dita é que estava errada. Pensei: o que o advogado queria era que eu fizesse um exercício de solidariedade real. Valeu. O que eu aprendi, em meia hora, sobre as pessoas.
publicado por João Tunes às 13:55
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Sexta-feira, 4 de Junho de 2004

EFEMÉRIDE DO DIA

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Há quinze anos, iludidos com a importabilidade da "perestroika", milhares de chineses, sobretudo jovens, sobretudo estudantes, abalaram o regime ditatorial que mais pessoas oprime em todo o mundo.

Queriam liberdade, levaram com metralha. O sangue encharcou, em grito de paradoxo, a Praça da Paz Celestial. Foi em Pequim. Na China.

Aos jovens chineses, sedentos de liberdade, deram-lhe não liberdade mas capitalismo, mais capitalismo, consumo, mais consumo. Hoje, bebem Coca Cola e comem hamburguer, usam jeans e mini-saia. Não se atrevam é a pensar ou falar o que não devem.

Confúcio aprovaria esta via capitalista para o comunismo? Talvez. Mao é que não gostaria, julgo eu. Talvez um daqueles que concordem é Durão Barroso que, em termos de maoísmo e de capitalismo, teve razão a tempo e a horas.
publicado por João Tunes às 16:21
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AINDA SOBRE A ETA (AGORA COM A ARA METIDA AO BARULHO)

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Pelos vistos, o tema é eterno e infinitas as diferentes maneiras de o ver. Pelo que só pode ter sido um assomo de argúcia aguda o que levou o Teixeira Pinto a trazer o Almirante Voador Carrero Blanco para a boca de cena e a ETA a ele agarrado. Boa malha, portanto.

Um post que antes coloquei sobre o assunto, motivou interessantes comentários do Vicente Gil, do Werewolf e do próprio Teixeira Pinto.

Depois, no Abre Latas, o assunto volta à baila em que se remata com esta frase:

“Suspeito que as acções ETA em finais dos anos 60 deveria certamente atiçar a imaginação de muitas cabeças do lado de cá da fronteira... Pergunto-me inclusive se a ARA (e muitos outros grupos) não teria surgido graças à normatividade positiva que a ETA nessa altura constituía.”

Se o tema tem assim tantas pernas para andar, vamos a isso. Ou seja, vão aqui mais umas achas para a fogueira.

1) A apreciação da acção da ETA, antes e depois do regresso da democracia a Espanha, não pode, de facto, ser a mesma. Uma coisa é um grupo nacionalista (independentemente das suas intenções e métodos) recorrer a acções violentas num quadro ditatorial e de repressão feroz a qualquer veleidade autonómica (incluindo a utilização da língua basca). Outra é a deriva violenta num quadro em que os bascos podem levar a sua autonomia até praticamente os limites que entenderem. No primeiro caso, poderá haver alguma condescendência política no seu julgamento (terrorismo ETA versus terrorismo franquista). Hoje, a continuação da actividade da ETA deve-se sobretudo a que, entre os bascos, a adesão ao programa e aos métodos da ETA é ultra-minoritário.

2) Aliás, se ainda não se realizou um referendo entre os bascos para decidir se eles querem só autonomia mas também a independência, deve-se a que ninguém se entende em que espaço e quem deveria votar no referendo. A ETA tem uma matriz etno-racista e sentido “imperial”. Para a ETA, a decisão cabe exclusivamente aos bascos de nascimento (seriam excluídos os habitantes provenientes de outras regiões de Espanha mesmo que ancestralmente instalados na região basca) e, para eles, o País Basco inclui a … Navarra (quando se sabe que a maioria dos navarros não se consideram bascos mas sim navarros e são ciosos da tradição e história do seu “Reino”). Quem visitar hoje Pamplona, depara-se com os paradoxos ao virar de cada esquina: ora se encontram “simpatizantes da ETA”, ora navarros odiando a ETA e … os bascos, saudosistas dos “réquétés”, monárquicos carlistas que detestam os Borbóns e Juan Carlos I, alunos da Universidade de Navarra por via da militância na Opus Dei. “Unem-se”, quando muito, na Semana de San Fermín, nas diárias largadas, touradas, bebedeiras e engates. Mas, mesmo aí, há sempre “folclore político” na cerimónia de abertura. Depois, sim, vem a unidade pelos toros, pelos copos e pela libido. Para tudo recomeçar na semana seguinte.

3) Uma expressão dramática da rivalidade bascos-navarros, esteve bem viva na Guerra Civil de Espanha. Enquanto os "bascos do Norte", foram das fortalezas da defesa da República como condição de sobrevivência da sua autonomia, a maioria dos navarros (através dos réquétés) afirmou-se monárquica e carlista e constituiu uma dos mais combativos e fanáticos apoios da tropa de Franco, de tal modo (que temendo o seu poderio miliciano) o Caudillo os dissolveu no Exército Nacionalista e a ala política dos réquétés foi integrada na Falange. Até ao nível da Igreja Católica, as divisões foram duríssimas – a maioria do baixo clero lutou pela autonomia basca contra Franco (os padres bascos autonómicos pagaram um enorme preço repressivo) e a Igreja Navarra (sediada em Pamplona), alinhou (tirando uma ou outra excepção em termos de repulsa para com um ou outro “excesso”) com a matança franquista.

4) A formação da ETA, como braço radical do independentismo basco, alimentado pela militância de jovens radicais, foi beber em duas inspirações confluentes: um cristianismo redentor alimentado pelo baixo clero basco ressentido com a tremenda repressão de Franco e da alta Igreja, o marxismo-leninismo(maoismo) então a empurrar muitos jovens por toda a Europa para a acção armada. Ou seja, para o tudo ou nada, matar ou morrer.

5) A ETA sofreu sempre de um distorse (e creio que é ele que impede a sua reconversão política e adaptação ao jogo democrático): os alvos são pessoas. Primeiro, foram os “inimigos do povo basco” – membros do aparelho militar e repressivo, jornalistas não simpatizantes da ETA ou dos seus métodos, empresários que resistem a pagar à ETA o “imposto revolucionário”, políticos que não se afirmam como nacionalistas. E aqui, insere-se o atentado contra Carrero Blanco. Depois, foi o terror avulso em que se incluíram as bombas em supermercados, estações de correio, etc, ou seja, terrorismo tendo a população civil indefesa como alvo. Há, nesta passagem, uma mudança que não é assim tão contraditória. A génese é a mesma: liquidar pessoas, tentando triunfar pelo terror e pelo medo. Quando assim é, é natural que haja uma degenerescência quase inevitável entre a escolha dos alvos. Depois de se liquidar a tiro um empresário, um jornalista, um tenente-coronel, um autarca, a morte de crianças e velhos nas bombas largadas, são “acidentes”. Siga a dança (a matança). Que me lembre, a ETA nunca meteu bombas num paiol militar, numa base aérea, num quartel, numa esquadra. Triunfou sempre a primazia da justiça pistoleira, mesmo quando exercida através da bomba (sobretudo em carros armadilhados).

6) Não é justa (nem minimamente rigorosa) a associação entre a ETA e a ARA. O Raimundo Narciso, numa entrevista que deu ao Bota Acima, por altura de Abril deste ano, explicou o que havia a explicar. Está nos arquivos deste blogue, é só lá ir consultar. A ARA não visava alvos humanos mas sim alvos materiais do aparelho militar e repressivo e teve sempre a preocupação de não fazer vítimas (civis ou mesmo membros do aparelho militar e repressivo). As BR, idem. A haver semelhanças de comportamentos e métodos, no caso português, só encontramos paralelo com a ETA nas FP 25. E a história dessa organização sabe-se bem o que foi e onde levou.

7) Talvez não valha a pena voltar a Carrero Blanco. Este atentado teve o mediatismo do impacto de ser o “número dois do regime” e entusiasmou pela sua proximidade com o ditador. Daí a celebridade e impacto da frase comemorativa. O problema mantem-se: a ETA, que nem de longe é estimada pela maioria do povo basco, é uma organização que começou a matar pessoas, gostou e hoje continua a matar porque gosta de matar. E matará, sempre e apenas, enquanto existir e puder. São, no meu entender, um grupo de assassinos com invocação (abusiva!) de uma causa.

Venham de lá os contra-argumentos.
publicado por João Tunes às 15:26
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PUXAPALAVRA

Blogues morrem, blogues nascem. Dou as boas vindas ao Puxapalavra, um blogue de João Abel de Freitas, Manuel Correia, Mário Lino e Raimundo Narciso.

Temos equipa para ajudar a animar a blogosfera. E que equipa! Mãos à obra.
publicado por João Tunes às 01:30
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2004

UM AMIGO DA ONÇA E O ALMIRANTE VOADOR

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O meu amigo Teixeira Pinto resolveu oferecer-me uma prenda envenenada. Primeiro, um ganda elogio (excessivo, mas também eu sou excessivo a elogiar amigos, está desculpado). Depois (diz ele, para me espicaçar), avança com a célebre frase Arriba Franco, mais alto que Carrero Blanco! e atira-me com o Almirante Voador para cima de mim e como mote de desafio. Raramente me furto a desafios (mal meu e defeito péssimo) e lá me desenrasquei (eu não quis foi ficar com o raio do Almirante pendurada cá por cima):

“Quanto ao Carrero Blanco, a frase também foi gritada em Lisboa (nomeadamente a acompanhar o assalto à Embaixada de Espanha). Teve força, é bem esgalhada, mas tem um factor que para mim é inibidor: a bomba que projectou Carrero às alturas foi posta pela ETA (organização que eu repudiu). Depois, o efeito foi que Carrero (um falanguista do piorio) foi substituído no cargo pelo Director da Polícia Política de Franco. E os democratas espanhóis não ganharam com o negócio. A repressão que se seguiu só fez atrasar a possibilidade de ter havido uma verdadeira roptura com o franquismo. Teria preferido Carrero Blanco (e os comparsas) sentado no banco dos reús a responder pelos crimes do franquismo. O que a ETA conseguiu foi que o pânico levasse a um "pacto de transição" em que os carreros blancos se sentaram à mesa da demo-monarquia espanhola e que, hoje e por exemplo, no governo Zapatero, o Ministro da Defesa PSOE seja um antigo dirigente da Juventude Falangista. E Franco não foi "arriba", morreu velho, de doença e na cama. Matou patriotas espanhóis até ao último suspiro de uma vida vivida a matar espanhóis e ... morreu de velhice e de doença! Cada vez me convenço mais que o terrorismo serve (só serve) os fascismos.”

Abraço, caro Amigo da Onça. E temos assunto para continuar a conversar?
publicado por João Tunes às 15:57
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AINDA SOBRE A PENA DE MORTE

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Sobre um post que coloquei sobre a “pena de morte” e que pretendeu ser uma réplica ao Mwerewolf do Acuso, o JPT do Ma-Scamba colocou um comentário fulminante:

“Contra a pena de morte em qualquer situação (excepto em algumas manhãs de particular mau-humor). Mas em total desacordo com a expressão "O problema é que, ao enforcarem Eichman, as vítimas israelitas ficaram iguais a Eichman": isso é a banalização do horror máximo. Nem toda a execução é genocídio. Francamente. Graduemos o mal, senão como poderá ele ser o Mal de maiúscula. E ainda totalmente contra o teor do post. Qual Saramago, há uns tempos, associar nazis e israelitas. Ele voltou atrás. Mais uma vez, graduemos o mal. Senão tudo no mesmo caldeirão nada se entende. Repito, francamente contra o teor do post.”

Não tenho a certeza de o ter entendido bem. Mas penso que percebi que ele distingue entre uma execução (acto singelo) e um genocídio (extermínio em massa), chamando a isso “graduação do mal”. Depois, acho que também entendi que o arrepia a associação entre “israelitas e nazis”.

Bem sei que é mal fadado tentar aplanar divergências expressas com tanta veemência (ou vontade dela). Mas como muito raramente apanho com opositores tão decididos e tão frontais, talvez valha a pena tentar. Que mais não seja pelo prazer diletante de tentar.

1) A distinção de penas de morte aplicadas a um sujeito isolado ou como objectivo genocida (etnia, orientação, ideologia, cor de pele, classe social, pertença) é uma distinção em termos de quantidade e de estratégia do extermínio. Mas a quantidade não altera, no meu ver, a natureza do acto. Matar é matar. Seja um indivíduo, seja uma classe, seja uma etnia. Matar um ou um milhão. Em qualquer dos casos, é infringir um “não poder” interdito por uma civilização que prezo.

2) O exercício de “não poderes” (matar, torturar, oprimir, humilhar) rebaixa a condição de quem os pratica. Se o alvo desse exercício for o pior dos pulhas humanos (e Eichman estava, efectivamente, no fim da escala), através dele, há um nivelamento e uma “igualdade”. Um carrasco transforma-se sempre em pior que a pior das suas vítimas. Tirar uma (uma que seja) vida humana é sempre um abuso de poder. Como dar uma bofetada numa criança. Ou passar uma rasteira a um coxo. Ou atropelar um peão se se poder evitar e mesmo que este esteja fora da passadeira.

3) Falei em “direita israelita”. Talvez devesse ter sido mais preciso e falado de “direita sionista”. Existe uma trágica simetria empática entre a “direita sionista” e o “anti-semitismo”. A “direita sionista” (Sharon, por exemplo) olha (e trata) os árabes e os palestinianos como os nazis olharam (e trataram) os judeus. Assim como os fundamentalistas islâmicos e os radicais palestinianos olham (e tratam) os judeus. Uns, e agora, “alimentam-se” de homens-bomba, outros imitam-nos (ou precedem-nos) com mísseis dirigidos a campos de refugiados cheios de população civil. Por isto mesmo, só acredito na solução do problema israelo-palestiniano quando, de um lado e do outro, assumirem lideranças as forças não radicais que existem em cada campo mas que desgraçadamente não são (ainda) suficientemente fortes. E o grande e trágico problema é que os radicais sionistas preferem que no campo palestiniano dominem os extremistas e vice-versa. E assim vão fechando ciclos de radicalidade que são pretexto para erupção radical no outro campo. Não vejo outra maneira de se sair daquela matança sem fim a não ser através da sua imposição pela comunidade internacional.

4) A execução de Eichman foi, antes do mais, uma exibição de força e de eficácia da Mossad. Obviamente que Eichman não devia escapar a espiar pelos seus crimes. Mas não creio que fosse esse o objectivo principal do espectáculo da prisão, sequestro, julgamento e execução de Eichman. Na minha interpretação, o que a “direita sionista” e a Mossad quiseram demonstrar, com Eichman, foi “quem se mete com os judeus, apanha”. E essa mensagem, na altura que ocorreu, obviamente que tinha destinatários bem definidos e contemporâneos – os que se opunham à existência e expansão do Estado de Israel. O enforcamento de Eichman foi uma forma simbólica de representarem o enforcamento de Arafat.

5) Andei na guerra. Não matei ninguém. Evitei que se matasse. Mas sei bem que o que “custa” é matar o “primeiro”. Passada esta fronteira, sobretudo se ela for coberta pela impunidade do pretexto da necessidade, os que se matam a seguir deixam de ser um problema de qualidade para ser apenas um problema (inferior) de quantidade. E o mais provável é que os mortos se transformem em troféus. Por isso, em termos de matar, convém nunca começar. Por isso, sou contra a pena de morte. Em qualquer circunstância. Sob qualquer pretexto. Em qualquer quantidade. E é assim que acho perigosa a ideia de graduar o mal. Porque, a meu ver, o mal é sempre Mal.

6) Não me guio por Mestres para escorar as minhas posições. Saramago não me impressiona nadinha. Raramente concordo com ele. Mais ou menos, as mesmíssimas raras vezes em que concordo com José Pacheco Pereira. E esse, como se sabe, é prior de outra freguesia. Que não a minha. Graças a Deus.
publicado por João Tunes às 01:51
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Quarta-feira, 2 de Junho de 2004

AOS COMENTADORES

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Decidi evitar comentar os “comentários”. Não por qualquer desconsideração. Mas apenas por achar que, a maior parte das vezes, os “comentários” são “salpicos” e manifestações de estados de alma que surgem e se manifestam pela leitura fugaz de um post. Umas vezes repentinos, mas também frutos de maior cultura ou argúcia mais aparada. Umas vezes simpáticos, outras vezes ácidos, de vez em quando com simpatia neutra. A maior parte das vezes, os visitantes comentadores apenas querem sublinhar que estão bem distantes dos meus referenciais ideológicos e de olhar as pessoas e a sociedade. Vou deixá-los em paz como expressão da livre liberdade de comentar. E, se quiserem polemizar ou cruzar ideias uns com outros, façam favor, a casa é vossa.

(claro que não abdico da faculdade de manter decência numa casa que é minha, quem aqui entrar para arrotar – não pelas ideias que defenda mas pela ligeireza com que ofende outros - vai direitinho para o olho da rua…)

Comentem à vontade. Eu agradeço o prazer da vossa companhia e os vossos contributos. Muito tenho aprendido com os meus comentadores. Quero continuar a fazê-lo.

Quando entender que o assunto merece um contra-argumento ou uma justificação, quebrarei a regra com a excepção da praxe.

Sirvam-se. Obrigado a todos.
publicado por João Tunes às 23:10
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INÊS A CAMINHO DO PICO

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Ao fundo, um dos locais mais lindos e mais sedutores que os meus olhos viram – a Ilha do Pico.

Em primeiro plano, três anos e meio cheios de vida para viver, a linda Inês, neta que faz babar um avô meu amigo e meu companheiro.

Duas belezas numa só – dia ganho!
publicado por João Tunes às 22:26
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INTERNET ?

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“A China encerrou 16 mil ciber-cafés nos últimos três meses, numa altura em que o governo leva a cabo uma campanha para reforçar os valores morais das gerações mais novas da China comunista, noticia hoje a imprensa estatal.” (notícia TSF)
publicado por João Tunes às 15:27
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