Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004

MENTIRAS COM TORRE E ESPADA

comsop4[1].jpg



O tema da descolonização promete continua a fazer correr muita tinta. Temos por aí um fartote de aproveitamento da nesga aberta pela demagogia imperial de Paulo Portas.



A exaltação neo-imperial fez com que um jovem político com maneiras de menino mal criado chamasse “criminoso” a Mário Soares referindo-se à sua participação no processo de descolonização. Foi um insulto e um sinal para que avançasse a arruaça dos boçais com ajustes de contas adiados mas não esquecidos.



È claro que os arruaceiros puros e duros não iam desperdiçar a oportunidade.



Um fascista, de Torre e Espada ao pescoço, antigo comandante de uma rede bombista, dirigente de uma invasão (e de um fiasco) a um país soberano e que se encontrava na sede da PIDE em 25 de Abril de 1974 (são cada vez mais consistentes os indícios que indicam que ele se preparava para tomar o lugar de Silva Pais à frente da Polícia Política) anda para aí a reescrever a história da guerra colonial.



Em entrevista dada à Lusa na Guiné-Bissau (!), Alpoim Calvão edita uma nova história da guerra colonial ali travada entre 1963 e 1974. Guerra esta, convém recordar, que encharcou aquela terra com as dores, os cadáveres e a mutilação de uma parte importante da nossa juventude e da juventude guineense.



Segundo Alpoim, Salazar não queria a guerra mas sim a paz e, já em 1963, estava disposto a conceder a autonomia e a independência à Guiné-Bissau. As culpas pelo que se passou chamam-se Amílcar Cabral (um racista, segundo Alpoim) e PAIGC, em conluio com a ONU e a OUA. Eles é que não quiseram comer à mão de Salazar e eles é que impuseram a guerra. Depois, Alpoim lamenta a actual situação na Guiné-Bissau por ter escolhido Amílcar e o PAIGC e não Salazar.



Quanto à descolonização e a Mário Soares, Alpoim faz um jogo de palavras e segue na peugada do político do CDS/PP. Diz ele, mais “comedido” que Pires de Lima, que Soares foi “negligente” e conduziu o processo de uma forma “quase criminosa”.



Alpoim devia ter confessado que foi um militar derrotado. Tendo perdido a guerra contra o PAIGC, devia ter feito continência aos vencedores e ater-se à honra dos vencidos. Não o fez, não o fará. Em vez disso, o mais provável é que continue a mentir. E mentir será coisa de somenos para quem matou portugueses à bomba e esteve quase, quase, a gerir as salas de tortura da PIDE. Ao menos, que tire a Torre e Espada do pescoço quando mente.
publicado por João Tunes às 19:57
link do post | comentar | favorito
11 comentários:
De teixeira a 19 de Fevereiro de 2004 às 20:09
"Tendo perdido a guerra contra o PAIGC, devia ter feito continência aos vencedores e ater-se à honra dos vencidos." - concordo

Ecoar Alpoim Calvão - talvez não concorde. O homem se calhar merece mesmo é o silêncio


Comentar post

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. ESPANHA – GUERRA CIVIL

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (1...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (2...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (3...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (4...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (5...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (6...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (7...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (8...

.arquivos

. Setembro 2007

. Novembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds