Sábado, 21 de Fevereiro de 2004

VILLAS-BOAS, O CARMO E A TRINDADE

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Li a notícia e fiquei à espera que caísse o Carmo e a Trindade. Caíram mesmo.



DEMITA-SE, DEMITA-SE, DEMITA-SE, foi o mais simpático que se disse sobre a posição de Luís Villas-Boas, psicólogo clínico, director do Refúgio Aboim Ascensão em Faro e presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei de Adopção, sobre a adopção de crianças por casais homossexuais.



HOMOFÓBICO, HOMOFÓBICO, HOMOFÓBICO, gritaram os mais exaltados.



Os argumentos apresentados por Villas Boas são sustentados e discutíveis. Porque tudo ou quase tudo é discutível na dialéctica das opiniões.



Mas o problema das opiniões de Villas Boas é que mexeu num dos mais modernos dogmas da sociedade ilustrada e colidiu de frente com a miríade de organizações homossexuais mais aquelas que lhes dão abrigo partidário. Porque, na esquerda chique, a homossexualidade anda a vingar-se de séculos de perseguição através da ostentação de direitos adquiridos e a adquirir até que a homossexualidade seja um tabu (outra vez, mas agora no sentido da sua exaltação) e um emblema. E sabemos todos que o estatuto adquirido pelo lobby dos gays chiques nada tem a ver com a sociedade portuguesa e tem sido conquistado, passo a passo, à margem dos valores interiorizados pela sociedade, pela porta legislativa e em salões partidários. Porque, entre ilustrados, é de bom tom defender TUDO para os gays, caso contrário, leva com o labéu de homofóbico e está arrumado. E, pelos vistos, o lobby não vai descansar até que a vergonha de ser homossexual dê lugar à vergonha de ser heterossexual.



Villas Boas disse coisas quase de bom senso. Toda a gente sabe que a educação e o crescimento da personalidade de uma criança se faz frente e com dois modelos diferenciados. Se um dos pólos dos modelos é uma representação do outro modelo e a percepção da diferença desaparece, a liberdade de crescer e de optar fica gravemente diminuída.



Mas Villas Boas decerto sabia que iria ter mais insultos que discordâncias. Não é politicamente correcto colidir com o verniz do lobby gay. Nisto, demonstrou coragem. Espero bem que se aguente no balanço e não se demita. Porque não devem haver posições definitivas e obrigatórias. Os problemas de que falou o psicólogo dizem respeito a toda a sociedade e devem ser discutidos antes de alterações legislativas e sem medo do puxar de gatilho da guarda pretoriana das verdades chiques. Sem receio de tabus.
publicado por João Tunes às 01:22
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De Joo a 22 de Fevereiro de 2004 às 23:29
Obrigado pelo seu contributo, estimada Deméter. Estou de acordo com as suas interrogações. Não podemos falar dos direitos dos que querem adoptar sem falar nos direitos dos que são adoptados. E muito menos sobrepor os primeiros aos segundos. Uma opção gay, desde que tomada por adultos, deve ser livre e respeitada como qualquer outra. Mas quem a toma sabe que ela implica abdicar da maternidade e da paternidade. Baralhar as coisas é abusar do poder dos adultos perante a falta de poder das crianças. Saudação amiga.


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