Segunda-feira, 8 de Março de 2004

MEMÓRIAS DE UM ABRE-LATAS NA TERRA DOS SOVIETES

mausoleu[1].gif

Ele próprio, o Teixeira Pinto , já insinuou que eu me estava a armar em seu promotor artístico-literário. Tenho poder de encaixe suficiente para não desarmar com ironias amigas. Gosto de vender o meu peixe e aconselhar os sítios onde se come e bebe bem aos meus amigos e disso não abdico. Tal como um bom livro ou um bom filme. Faça chuva ou faça sol. Com os blogues, idem idem, aspas aspas. Sou mais atreito a recomendar (por prazer de partilha) um blogue que me cai no goto que andar para aí a espalhar um índex.

Não conhecia nem conheço pessoalmente o Teixeira Pinto de parte alguma. Sei que existe na blogosfera. Sou um admirador da sua escrita e do seu olhar. Temos "ódios cruzados" (clubisticamente falando). Teremos afinidades políticas e ideológicas. Temos de certeza o hábito da franqueza pão pão, queijo queijo, de dizer coisas na cara sem procurar o bom carteiro que sirva de mensageiro, sejam elas concordâncias ou divergências. Partilhamos a certeza de que concordar com alguém tem o mesmo interesse cultural que discordar um bocadinho ou em absoluto. Com o tempo, vou percebendo (ou convencendo-me) que se trata de um tipo porreiro e catita. Um dia destes combinamos beber uns copos e tiramos a limpo se a blogosimpatia tem pernas para andar em termos de empatia humana. Para mais, este blogamigo tem o nome de Cachungo da Guiné, onde passei as passas do Algarve e deixei parte da pele da minha juventude.

O Teixeira Pinto, desafiado, decidiu-se a contar as suas memórias de quando foi bolseiro na ex-URSS nos anos oitenta. Mas, organizado e escrupuloso como demonstra ser, resolveu não largar uns posts soltos sobre a matéria mas antes tratar o assunto com toda a seriedade e adequada metodologia. Assim mesmo é que é. O assunto é sério e não é para ser lambuzado com meia dúzia de tretas. Vai daí, abriu nada menos nada mais que quatro blogues sobre a matéria:

Alma Lusa será o repositório das lembranças dos compatriotas, da Associação de Estudantes Portugueses na URSS, da organização moscovita do PCP, das querelas intragrupais e intergrupais. Aqui se falará de orto- e heterodoxias, de excomungados, de tentativas de anulação da diversidade individual, etc...
Alma Mundi aglutinará as lembranças das aventuras em terra dos Sovietes: as viagens clandestinas, as loucuras da juventude, a pequena comunidade de russos lusófilos, os controlos de fronteira, etc...
Homo Sovieticus será dedicado à realidade soviética no seu interface com os estrangeiros: o apego às marcas ocidentais, o sociocentrismo crónico dos russos, as filas intermináveis, as “babushkas”, as “verioshkas”, os “tarakans”, o arranjismo privado dos taxis, enfim, a vida e o mercado – o negro e o vermelho.
Alma Mater terá por função elucidar sobre o sistema de ensino, a vida universitária e as peripécias enquanto estudante.

A sua obra memorialística já vai adiantada e ultrapassa, com toda a sinceridade, aquilo que eram as minhas melhores perspectivas. Tratam-se já (e talvez o melhor esteja para vir) documentos de vivências riquíssimas sobre uma experiência de contacto com a antiga União Soviética. Estou certo que a obra que o Teixeira Pinto vai construindo, constituirá, dentro em breve, peça obrigatória de consulta sobre a realidade soviética, porque ele escreve com sinceridade, limpeza e enorme capacidade impressiva e expressiva. Há-de aparecer Editor, acredito eu. Á falta de melhor e mais a preceito (quem anda á chuva, molha-se) terá, pelo menos, direito a referência, transcrições e tudo o mais, por parte do Grande Líder na matéria.

Se a preguiça não vos consumir o suficiente para esperarem pelo Livro, esgravatem nos blogues do Teixeira Pinto e poderão deliciar-vos com o prazer de acompanhar a saga inteligente de um antigo bolseiro na ex-URSS.

Aviso aos ortodoxos vigilantes: nem tudo era mau, nem tudo era mau.
publicado por João Tunes às 23:55
link do post | favorito
De Teixeira Pinto a 9 de Março de 2004 às 23:42
1) Livro (pretenso, hipotético, eventual ou suposto putativo): a ver vamos como diz o cego.
2) Farrita ou patuscada: sou mais sociável em presença do que por teclado, portanto, vamos a isso.
Quanto ao perfil dos comensais. Tudo bem, sou mais extrovertido a falar do que a escrever, e não recuso ninguém por estar categorizada segundo uma determinada etiqueta...
Aos Gays, eu costumo dizer que sou Anarco-Trotskiska-Castro-Guevarista de Centro-Direita; e aos trotskistas, constumo dizer que a minha avozinha era Rosa mas não Luxemburgo...
Abraço.


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. ESPANHA – GUERRA CIVIL

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (1...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (2...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (3...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (4...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (5...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (6...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (7...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (8...

.arquivos

. Setembro 2007

. Novembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds