Terça-feira, 30 de Março de 2004

ADEUS CAHORA BASSA

cahora-bassa-dam[1].jpg

Parece estar na hora de entregar a Barragem de Cahora Bassa aos moçambicanos. Esse será, talvez, o principal motivo que levou Durão Barroso a Moçambique.

O projecto da construção da Barragem e o início da sua construção deram-se no momento errado e por motivos errados – o colonialismo português estava na sua fase derradeira e a obra pretendia ser o grande trunfo para que ele perdurasse. Alimentou-se a ilusão de que, não se conseguindo vencer a Frelimo pelas armas, a iríamos vencer com a barragem que, além do mais, iria irmanar os interesses coloniais portugueses e os regimes racistas da África do Sul e da Rodésia/Zimbabwé.

Paralelamente, a Barragem é uma das mais prestigiosas obras da engenharia portuguesa em todo o mundo.

A finalização da obra foi fruto da inércia da presença portuguesa em Moçambique e da teimosia de não deixar uma obra vultuosa a meio.

O grande beneficiário de Cahora Bassa foi a África do Sul. Pagou tarifas miseráveis e Portugal foi acumulando um serviço de dívida monstruoso. Aliás, julgo que parte da energia recebida pela África do Sul é depois re-exportada para Moçambique, sobretudo para servir o monstruoso empreendimento da Mozal (fábrica de alumínio deslocalizada para Moçambique pelos seus efeitos poluidores e por acesso a mão-de-obra mais barata).

A dívida de Cahora Bassa e a dificuldade de cobrar as dívidas da energia exportada e obter um preço justo para ela, foram sempre argumentos favoráveis aos defensores da passagem da Barragem para as mãos dos moçambicanos. Era e é um “cancro financeiro” que suscita a vontade imediatista de estancar aquilo que até agora só foi visto como um enorme encargo para o Estado português.
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<img alt="cahora-bassa-dam[1].jpg" src="http://botaacima.blogs.sapo.pt/arquivo/cahora-bassa-dam[1].jpg" width="298" height="299" border="0" /><br><br>Parece estar na hora de entregar a Barragem de Cahora Bassa aos moçambicanos. Esse será, talvez, o principal motivo que levou Durão Barroso a Moçambique.<br><br>O projecto da construção da Barragem e o início da sua construção deram-se no momento errado e por motivos errados – o colonialismo português estava na sua fase derradeira e a obra pretendia ser o grande trunfo para que ele perdurasse. Alimentou-se a ilusão de que, não se conseguindo vencer a Frelimo pelas armas, a iríamos vencer com a barragem que, além do mais, iria irmanar os interesses coloniais portugueses e os regimes racistas da África do Sul e da Rodésia/Zimbabwé.<br><br>Paralelamente, a Barragem é uma das mais prestigiosas obras da engenharia portuguesa em todo o mundo.<br><br>A finalização da obra foi fruto da inércia da presença portuguesa em Moçambique e da teimosia de não deixar uma obra vultuosa a meio.<br><br>O grande beneficiário de Cahora Bassa foi a África do Sul. Pagou tarifas miseráveis e Portugal foi acumulando um serviço de dívida monstruoso. Aliás, julgo que parte da energia recebida pela África do Sul é depois re-exportada para Moçambique, sobretudo para servir o monstruoso empreendimento da Mozal (fábrica de alumínio deslocalizada para Moçambique pelos seus efeitos poluidores e por acesso a mão-de-obra mais barata).<br><br>A dívida de Cahora Bassa e a dificuldade de cobrar as dívidas da energia exportada e obter um preço justo para ela, foram sempre argumentos favoráveis aos defensores da passagem da Barragem para as mãos dos moçambicanos. Era e é um “cancro financeiro” que suscita a vontade imediatista de estancar aquilo que até agora só foi visto como um enorme encargo para o Estado português.<bR<<br>Pina Moura, quando Ministro da Economia, já lá tinha estado com a missão de se “ver livre” de Cahora Bassa. Voltou atrás. Provavelmente, Durão levará agora essa tarefa liquidacionista até ao fim.<br><br>A “moçambicanização” de Cahora Bassa é uma treta mal contada. A saída de Portugal de Cahora Bassa levará, a curto prazo, à substituição do seu papel por parte da África do Sul. Salta à vista. Em vez de “moçambicanização” da Barragem teremos é Moçambique mais (ou definitivamente?) “sul-africanizado”.<br><br>Não tenho dúvidas que é o momento errado para sairmos de Cahora Bassa. Mas o espírito mesquinho de ver a nossa presença em África em termos de mera tesouraria dá nisto. Somos capazes de perdoar dívidas, alimentar corrupções, esquecer afrontas, mas falta alma para rentabilizar uma obra única e estratégica no cone sul de África. E depois o que nos restará em Moçambique? A língua portuguesa? Não me façam rir.
publicado por João Tunes às 01:15
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De Joo a 2 de Abril de 2004 às 22:31
Caro Carlos, a blogosfera fica mais rica com as duas opiniões divergentes. Abraço.


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