Sexta-feira, 7 de Maio de 2004

EFEMÉRIDE DO DIA

Eva.jpg

Em 7 de Maio de 1919, nasceu na Argentina uma filha ilegítima de uma cozinheira que se viria a transformar numa das mais carismáticas políticas e um dos maiores mitos de todos os tempos. Puseram-lhe o nome de Eva. Seria conhecida como Eva Perón. Os seus seguidores e aderentes chamavam-lhe (e chamam-lhe) Evita.

De grande beleza, Eva fez uma carreira obscura como cantora e actriz de rádio. A alcova deu-lhe a fama e os proventos que a sua origem social lhe negara. Tornou-se amante do Coronel Perón (com quem se viria a casar), um militar golpista que fez a sua educação política no culto do fascismo e do nazismo, durante os tempos em que serviu na Europa como adido militar.

Perón apoderou-se do poder na Argentina e iniciou uma das caminhadas mais persistentes e duráveis do populismo de cariz fascistóide, baseado no apoio da Alemanha nazi, da Itália fascista, de Portugal salazarista e da Espanha franquista. Colocando a Argentina na órbita das economias de guerra das potências do Eixo, Perón desenvolveu a mobilização e a reorganização económica na hostilidade aos interesses americanos e britânicos.

Perón, igual que Franco, não tinha preparação teórica e muito menos carisma. Era apenas um obscuro e ambicioso militar com vocação para ditador. Eva deu-lhe o que lhe faltava.

Numa altura em que a rádio era o grande comunicador e mobilizador de massas, Eva, sabedora do ofício, tornou-se a grande propagandista do regime e dedicou-se à mobilização populista do lumpen argentino (os “descamisados”), usando-o como tropa política de choque e como base social de apoio. Mestra na arte intuitiva da demagogia, rapidamente se transformou na “Mãe dos Sindicalistas”, através de um programa de apoio social inspirado no assistencialismo de matriz catolicista. Tornou obrigatório o ensino religioso nas escolas, cultivou a sua imagem com persistência, fingindo que se apagava perante o obscuro marido e governante. Geriu o luxo com a sede de quem veio do fim da escala social.

Eva cultivou as relações com o que havia de mais retrógrado na Europa, fez furor no Portugal de Salazar e na Espanha de Franco, procurando neles a legitimação como “Grande Senhora” do mundo.

Eva transformou o peronismo num fenómeno durável, tanto que, reposto o voto, as eleições ganhas pelos peronistas sobreviveram até muito recentemente. E, ainda hoje, quando a Argentina entra em crise, o peronismo renasce como mito de salvação.

Morreu muito jovem, muito bonita e, sobretudo, enormemente sedutora. O que só acentuou o mito Evita para a dimensão de uma verdadeira histeria no seu culto populista pelas massas argentinas. A sua despedida da vida, ainda hoje, é um excepcional apelo populista e lancinante para que as massas não mais deixem de a idolatrar e santificar: NÃO CHORES POR MIM, ARGENTINA.
publicado por João Tunes às 23:20
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. ESPANHA – GUERRA CIVIL

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (1...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (2...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (3...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (4...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (5...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (6...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (7...

. ESPANHA – GUERRA CIVIL (8...

.arquivos

. Setembro 2007

. Novembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

. Maio 2004

. Abril 2004

. Março 2004

. Fevereiro 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds