Sábado, 3 de Julho de 2004

TRABALHOS DE UMA MOÇAMBICANA PARA ENTRAR EM PORTUGAL

Incríveis as formalidades contadas pelo Jorge Neto e exigidas pela nossa Embaixada em Maputo, para que uma sua amiga moçambicana obtivesse visto para puder entrar em Portugal para fazer turismo.

Concordo com ele em como a situação é vergonhosa. Tanto mais que estas situações costumam ser reguladas por princípios de reciprocidade. Se ela não existe, aplique-se. Ou seja, passe a Embaixada de Moçambique em Lisboa a aplicar os mesmíssimos critérios para os viajantes portugueses que queiram entrar em Moçambique. Provavelmente, a situação resolvia-se em três tempos. (a menos, a menos, que a reciprocidade não interesse a Moçambique por as receitas de turismo falarem mais alto que a dignidade dos seus cidadãos, cala-te boca)

Entendidos, pois, até este ponto. Porque estamos a falar de cidadania, dignidade, reciprocidade. No quadro das relações entre Estados soberanos. Falando de Cidadãos. De todos os cidadãos no pleno uso dos seus direitos, em igualdade de usufruto e no quadro das relações diplomáticas e consulares estabelecidas.

O caso muda de figura (quanto à minha concordância com o Jorge Neto) quando ele tenta ampliar o escândalo, dizendo da sua amiga moçambicana:

“A pessoa em causa é economista de profissão e professora universitária numa das mais prestigiadas universidades moçambicanas (Universidade Católica). Tem um salário mensal acima do de qualquer português de classe média (conquistou-o com muito esforço, sou testemunha). Mesmo assim necessita de se rebaixar ao ponto de pedir a alguém que seja seu pai adoptivo durante as férias.”

O que é que, para o caso, tem a ver que a cidadã moçambicana seja economista, Prof e ganhe uma batelada de massa? Adianta alguma coisa para o caso? Se não fosse economista, nem Prof, nem ganhasse acima da classe média portuguesa, o que mudava na situação? Já se podia “rebaixar”? Em que ficamos? Qual a essência do problema – cidadania ou estatuto social? Quanto ao primeiro, totalmente de acordo; se o problema está (apenas) no segundo, talvez o caso sirva para a cidadã moçambicana aprender mais qualquer coisa (mesmo os Profs devem estar sempre a aprender) com as penas dos seus concidadãos “mais desfavorecidos”.

Fica pois devidamente registada a minha “meia solidariedade” com a indignação do Jorge Neto.

Abraço.

Adenda:

O Jorge Neto comentou e esclareceu:

"Caro João: parto do principio que todas as formalidades exigidas sejam para ter a certeza que a pessoa não está a "fugir" para a Europa. Para que quereria esta minha amiga fugir, se vive bem melhor em Moçambique que em Portugal? Claro que na minha opinião este rebaixamento é humilhante, quer para um quadro de topo quer para um cidadão com a 4ª classe, que eventualmente pretenda ir a Portugal de férias."

Esclarecido que está que o Jorge Neto coloca o problema em termos de cidadania e não de estatuto social, fica registada a minha total concordância com o post do Africanidades.
publicado por João Tunes às 00:51
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2 comentários:
De Joo a 4 de Julho de 2004 às 16:28
Entendidos então, caro Jorge. Abraço.


De Neto a 4 de Julho de 2004 às 03:35
Caro JOão:

parto do principio que todas as formalidades exigidas sejam para ter a certeza que a pessoa não está a "fugir" para a Europa. Para que quereria esta minha amiga fugir, se vive bem melhor em Moçambique que em Portugal? Claro que na minha opinião este rebaixamento é humilhante, quer para um quadro de topo quer para uma cidadão com a 4ª classe, que eventualmente pretenda ir a Portugal de férias.


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