Segunda-feira, 5 de Julho de 2004

DECLARAÇÃO SOBRE LUTINHAS

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Isto das lutas têm que ser organizadas como deve ser. Porque senão pode virar-se o feitiço contra o feiticeiro. E luta, luta mesmo, deve ser coisa séria e não ir atrás do impulso só da criatividade. Nem se podem fazer lutas por dá cá aquela palha e sem as massas populares estarem devidamente esclarecidas e mobilizadas. Bem sei que agora, com o SMS e os blogues, há muito quem pense que a coisa é instantânea, salta a ideia, cria-se o banner e toma lá disto.

Isto se estamos a falar de lutas e não de paródias de lutinhas.

Já disse que estou contra a ideia de passarmos pelo pesadelo de termos o Santana como Primeiro, defendendo que a única saída decente para a actual embrulhada política é a convocação de eleições antecipadas. Mas daqui até andar para aí com performances que não ajudam nada à causa vai uma grande distância. Porque, então, a emenda pode ser pior que o soneto. Sobretudo é preciso cuidado em não entrarmos em populismos para combater o populismo. Até porque, quanto a populismos, é jogarmos no terreno do Santana e dificilmente lhe levamos a melhor. O tipo é profissional da coisa.

Ando a receber vários apelos para que o povo, o bom povo português, não tire as bandeiras das janelas como exigência das eleições antecipadas. E nesta é que eu não alinho mesmo. Sobretudo porque não tenho (nem tive) bandeira na janela (porque acho que o futebol é a 256ª prioridade do país). Assim sendo, como é que faço? Vou comprar uma agora? Nessa não caio eu. A vizinhança vai pensar que pirei de todo ou então estou armado em grego e a gozar com o pagode, contente por termos perdido. Para além de que o mais certo seria o chinês da loja das bandeirinhas me atirar com um riso amarelo ao trombil, eu não gostar, dar uma chapada no chinês, depois vir a polícia fresquinha do pouco trabalho que teve no Euro e dar-me uma chanfalhada, eu então ir-me queixar ao governo mas o governo estar demissionário e só em gestão corrente e, assim, correr o risco de ficar a apodrecer em prisão preventiva até vir o governo que sair das eleições antecipadas ou não antecipadas. E tudo isto pode pôr em risco a minha integridade física, psicológica e até moral. Não. O preço é demasiado alto para alinhar nesta “esquerdice”.

Vamos lá a pensar melhor antes de se lançarem estas acções de luta! E com as bandeiras não se brinca.
publicado por João Tunes às 12:16
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3 comentários:
De Werewolf a 5 de Julho de 2004 às 15:10
A FENPROF também exige eleições. Podem ver em http://www.fenprof.pt/Default.aspx?xpto=27&cat=59&doc=454&mid=115


De Werewolf a 5 de Julho de 2004 às 14:57
João, calma homem, anda tão sizudo. A luta também tem de ser divertida. Para angústia já chegam estes dois últimos anos, agora vamos a eles, mas porque não com um pouquinho de humor também.


De Teixeira Pinto a 5 de Julho de 2004 às 13:40
"E com as bandeiras não se brinca" - Brinca-se, sim senhor! Com a bandeira fazem-se soutiens, chapéus e até cuequinhas. Já faltou mais para que alguém decida lançar uma linha de PRESERVATIVOS DAS QUINAS.






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