Sexta-feira, 16 de Julho de 2004

SOBRE OS SÁBIOS DA BLOGO-ESCRITA

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Há prosas boas, muito boas, aqui na blogosfera. Já tenho registado algumas, outras não porque não chego para tantas encomendas. E não sou um catador da blogosfera, não aguentando mais que uns tantos blogues em doses moderadas. Porque um blogue está longe de ser a vida. E a vida muito menos é um blogue. Provavelmente, com tanta ausência de vistas, muita joalharia me passará ao lado.

Pois, há aqueles que se esforçam (melhor, esganiçam-se) e não chegam lá. Fica a vontade de emparceirar. Mas não se pode tirar mérito ao tentar.

Há os ligeiros de teclado. Em que as pressas não deixam que a chanfana apure. Valem pelo fulgor do disparo, sobretudo quando acertam no alvo.

Aparecem os talentos inatos de quem parece que nasceu para bem escrever. São a minha inveja.

Encontram-se também os bêbados da palavra que se atropelam com palavras a mais. Mas não é de mim que quero falar.

E ainda os forretas da palavra que as largam de quando em vez para que elas saiam bem medidas. Serão os mais narcisos, embora dessa qualidade todos tenhamos aqui um pouco.

Há de tudo. Como na botica. Enfim.

O que interessa é que, se soubermos escolher e filtrar a preceito, peneirando bem peneirado, encontramos na blogosfera uma parte importante daquilo que melhor hoje se escreve no nosso país. E acho que isso tem a ver sobretudo com a liberdade que por aqui se respira.

Ah, ainda há os que escrevem por encanto, levando-nos em viagens por lugares e idades, mais as emoções, sabores e cheiros enrolados num tropel. São aqueles que nunca conseguiram ser cínicos. Porque a ternura da escrita isso impediu. E a boa seiva não pode sair de uma alma ordinária. Digo eu que sou um crédulo avisado e calejado por pontapés no rabo sem que isso me dê a sabedoria do aviso. Conheço duas mãos cheias deles, são os meus preferidos.

Depois, não menos importante, mais até, há as inevitáveis empatias e as cumplicidades que nos tornam cegos na comunhão de bando, mesmo que hirsuto. Cá me sirvo.

Já hoje falei da qualidade do Besugo e Companhia e mais sobre eles não digo agora. Gosto da maneira como a palavra é tratada no Alentejanando, no Arcabuz, no Jumento, pelo Raimundo do Puxa Palavra, na Sebenta, no Apenas um pouco tarde, nos Frutos Maduros, na Meia Livraria, no Vento lá fora, nalguns dos parceiros (JW e LFB) da Causa Nossa e na Vida Magenta. Assim como apreciava um blogue que resolveu suicidar as ilusões e foi desta para melhor. E se não refiro o Aviz é porque esse não conta para o campeonato pois é profissional da poda. Todos estes derramam artes de palavras para além das opiniões. Por isso, estão muito acima da concordância ou da contradita. Até podem dizer a maior das barbaridades que sempre me merecem um sorriso pela gulodice com que os leio. Resistem sempre a qualquer embirração.

Há ainda um caso que penso interessante. Original, que eu saiba. Tem a ver com alguém que se expõe de forma tão generosa que nos permite descobrir as artimanhas do mérito. Falo de um lançador de pérolas como esta que nos leva por uma cidade (tem nome mas podia ser outra) e por uma infância (a dele como podia ser a nossa), acompanhando sonhos de quando se cresce (os dele ou os nossos), rodopiando à volta de ídolos e modelos. Sei porque ele o disse, que mais desta lavra vem aí a caminho. E eu disse-lhe a ele lá no seu canto, e repito aqui, que o caso dele não é nenhuma luxaria nem feito de glória. Porque o Carlos vale-se mas é de uma mera revelação genética, usando o talento que herdou da Carla.

Vale a pena estar aqui.
publicado por João Tunes às 01:23
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8 comentários:
De IO a 18 de Julho de 2004 às 01:37
Enganas-te, João, dou-lhe sempre que ele merece!!! _ e juro que adoro homens que erram, são humanos!
Abraço para ti_ eu, emocionada com as palavras dele.


De Carlos a 17 de Julho de 2004 às 21:37
Já cá devia ter vindo... mas um pouco a olhar para o umbigo, reconheço, pois fiquei orgulhoso pelo pai e pela filha, pelas palavras que aqui senti. Foi quente, é extraordinário como há palavras que emocionam! Obrigado por partilhares este abraço, Isabella. Conhecer-te foi a maior recompensa que este 'sentir genético' teve, mufana!


De Joo a 16 de Julho de 2004 às 14:57
Ah bom, entendido, cara Teresa. Temos então mais um caso de verdade genética. Abraço. PS - E quando disser mal do pai (da filha, nem pensar) já sei que tenho a mana à perna...


De IO a 16 de Julho de 2004 às 14:43
Suspeita, João, porque eu e o "pai" somos "irmãos"!_ e raios partam as aspas...
Quanto ao teu lugar, pois, entendo-te... ok, passas só a ser o primeiro que eu puxo, desde que o ma-shamba...


De Joo a 16 de Julho de 2004 às 11:39
Suspeita em quê, cara Teresa? porquê? E, bolas, não gostei nada de ser promovido para o "lugar do morto"! Até parece que atropelei o homem para lhe ficar com a cátedra... Logo eu que me roo aqui de saudade dos fios das palavras do "ma-schamba". Sinto tanta falta da sua inspiração acicatante que até já pensei em fazer-lhe companhia no "outro mundo", blogando no "além" do retiro. Mas ainda não é a hora enquanto tiver alimento bastante de boas e amigas companhias. E um tipo não vira costas aos outros só porque acordou com os pés de fora. Sentiria assim como ter a casa cheia de malta amiga e conviva e pôr tudo no olho da rua para ir dormir a sesta. Mas a qualidade e a estética do "Ma-Schamba" ficarão como uma marca de água no melhor que passou pela blogosfera. Fica a lembrança até ao seu regresso, respeitando-lhe o direito ao silêncio. Mas não lhe quero o trono por vacatura. Disse.


De IO a 16 de Julho de 2004 às 11:05
Sou suspeita, mas gostei muito do elogio à filha e ao pai!

E já agora, deixa-me não esconder que, findo o "ma-shamba", subiste um lugar no ranking...
abraço!


De Joo a 16 de Julho de 2004 às 10:01
Faça o favor de se acomodar e esteja à vontade. Melhor, sirva-se, porque as companhias aqui são sempre um prazer. E bom fim-de-semana, também.


De Maria a 16 de Julho de 2004 às 09:02
Bom dia,

Já entrei, limpei os pés, é um facto que não pedi licença, mas.....
Tenho que lhe dar os parabéns, pois tudo o que diz é a mais pura realidade.
Sou maçarica nisto dos blogs, mas tenho visto cada coisa que é de bradar aos céus.
desejo-lhe um bom dia e já agora porque não um bom fim-de-semana.

Maria


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