Terça-feira, 27 de Julho de 2004

AINDA CARLOS PAREDES, SEMPRE

Carlos_Paredes.jpg

1) Numa nota datada de 4 de Março de 1959, foi assim que a PIDE escreveu sobre um apreciado músico recentemente falecido:

“Carlos Paredes, escriturário dos Hospitais Civis de Lisboa, membro do chamado “partido comunista português” com o pseudónimo de “Franco”, desde o princípio de 1957. Foi aliciado pelo co-arguido José Olaio Valente. Fazia parte da organização secreta comunista existente naqueles Hospitais e sob o “controle” daquele co-arguido.”
(transcrita em Estudos Sobre Comunismo)

2) Carlos Paredes foi torturado pela PIDE, não falou perante os carrascos, esteve preso vários meses e foi expulso da função pública. Tornou-se delegado de informação médica para ganhar o sustento. Só vários anos após o regresso da democracia, passou a viver da música e apenas para a música.

3) A democracia concedeu-lhe a honra de “dia de luto nacional”. Foi justo, acho eu que até não valorizo excessivamente estas “coisas de Estado”.

4) Recordar, a propósito do “dia de luto nacional” pela morte de Carlos Paredes, outras falhas e omissões, é, no meu entender, atirar ao corpo sem vida de Carlos Paredes uma nova bofetada a somar a tantas que ele sofreu em vida e que não mereceu. Pior se vierem com a história sexista da diferenciação de tratamento dado a este homem comparativamente com omissões graves para com duas mulheres ilustres também recentemente falecidas (Sophia e Pintasilgo). Carlos Paredes foi um homem dos sons e da liberdade. Sons para todas as almas abertas. Liberdade para todos, mais para os outros e para as outras que para si próprio. As falhas de respeito e de consideração de Estado para com Sophia e para com Pintasilgo, podiam e deviam ter sido protestadas nas alturas próprias. Atirá-las para o ar na altura em que pouparam Paredes a uma injustiça póstuma parece-me, no mínimo, uma ofensa desnecessária. Embora agora ele já não se deva ralar grande coisa. Nem Sophia. Nem Pintasilgo.
publicado por João Tunes às 21:58
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5 comentários:
De Joo a 29 de Julho de 2004 às 11:36
Oh Irina (o tempo que andei enganado a chamar-lhe Fernando) mas se a digna senhora, com 41 aninhos feitos, ainda não está madura também já não passa da verdura. O que não é nada mau e até serve para voltar ao tema mesmo do post, permitindo que se lembrem os sons dos "verdes anos" do imortal Paredes. Permita que respeitosamente a cumprimente, estimada senhora.


De Irina a 29 de Julho de 2004 às 02:27
Isso de ucraniana MADURA é comigo?


De Joo a 28 de Julho de 2004 às 18:20
Concordo com o Evaristo e com a ucraniana madura que é "cidadã do mundo". Ambos dão duas faces verdadeiras da mesma moeda.


De Fernando a 28 de Julho de 2004 às 04:15
Eu até acho que o Paredes seria o primeiro a rejeitar a ideia do dia de luto nacional. Não que ele não merecesse, mas soou-me a desculpa de mau pagador. Um abraço, João.


De Evaristo a 27 de Julho de 2004 às 22:55
É certamente verdade, que depois da morte, nenhuma alma estará à espera de homenagens que, em vida não lhe foram prestadas. Mas seria uma prova de carinho, de reconhecimento prestado pelo país. E uma prova de que os "valores" cívicos, morais e éticos eram tidos em conta para que as gerações futuras tivessem referências.


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