Segunda-feira, 2 de Agosto de 2004

SOBRE A EXPLOSÃO EM LEIXÕES

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O acidente ocorrido com o terminal petrolífero em Leixões, merece a maior atenção, o devido apuramento de responsabilidades e a tomada de medidas para prevenir repetições.

Mas dá que pensar as movimentações oficiais à volta deste acidente.

Primeiro, o Narciso da Lota não podia faltar ou não fosse ele o homem que fez da tentativa de encerrar a Refinaria da Petrogal em Leça, a sua grande causa autárquica. Exactamente o autarca que levou a especulação imobiliária até aos portões da Refinaria (prolongando Leça até ao Cabo do Mundo) para depois argumentar que, por segurança, não devia haver uma Refinaria às portas de um meio populacional. E aqueles terrenos dão tanto jeito para estender a imobiliária ali à beira-mar… Narciso Miranda sempre deu mostras de preferir as fortunas imobiliárias a uma unidade estratégica de produção e centenas de postos de trabalho.

Não faltaram também o novel Ministro do Ambiente, o Secretário do Mar e mais uns tantos pajens, paquetes e xerifes.

Não sei se Mexia, o das Obras Públicas, meterá ali prego e estopa. Mas era bom que assumisse responsabilidades pelo tempo recente em que sendo Presidente Executivo da Galp, descurou (depauperando em meios) a segurança nas Refinarias, desinvestindo nelas com o pretexto de que a refinação devia ser mandada às urtigas.

Veremos se não estamos perante mais um exemplo de caso de fazer o mal e a caramunha.

Adenda 1:

De um amigo que trabalhou quase uma vida na Refinaria da Petrogal em Leça, recebi, por mail, este grito de revolta a propósito do acidente tratado neste post:

”O pior já passou; mas a verdade é que nas Refinarias se trabalha sobre um barril de pólvora. Pólvora essa cujo poder detonador se vai refinando, à medida que se vai poupando (como um director de manutenção gostava de chamar ao não fazer) em manutenção preventiva e se reduzem os gastos em segurança (o accionista exige cada vez mais lucros).

Ouvi do sr. Narciso Ciranda duas asserções: primeira, se dependesse dele resolvia o problema da Refinaria em 24 horas (fechava-a, entenda-se); segunda, a Refinaria pode continuar a laborar em Matosinhos desde que cumpra "as balizas da legislação portuguesa". O que terá feito mudar, em poucas horas, esta cabeça iluminada?

Sabemos que o sr. Narciso Ciranda anda há cerca de dez anos a reclamar a desactivação da Refinaria do Porto (entretanto foi chupando quanto podia em favor do seu município). No entanto, se puxarmos pela memória, o sr. Narciso Ciranda já ocupa o cargo há mais de vinte anos. Pergunto: porque só há dez reclama o fecho da Refinaria?

Eu dou uma ajuda. Quando entrei para a Refinaria do Porto em Janeiro de 1972 toda aquela área desde os tanques de petróleo bruto até cerca de uns 200 metros a norte do ponto onde se verificou este incêndio, era MATO; era uma zona de caça, cheguei a ver raposas bem próximo da entrada da Refinaria. As únicas construções existentes eram da Marinha e a envolvente era zona classificada. Com a desclassificação daquelas instalações militares iniciou-se o forrobodó imobiliário na marginal de Leça e na estrada Oeste/Leste que parte do farol, cuja construção foi paga pela Petrogal. Aí as casas não distam 100 metros dos tanques de petróleo bruto. Daqui se infere que foi Leça que se aproximou da Refinaria que estava bem sossegada a mais de 1 Km. E quem permitiu isto? A Câmara de Matosinhos e o seu presidente!”


Adenda 2:

Transcrevemos opinião entendida de um visitante-comentador:

"O acidente verificado na Refinaria constitui um acidente gravíssimo e custou-me bastante assistir ao espetáculo dado pelo nóvel ministro do Ambiente a justificá-lo como um acidente de obra (seja lá o que isso fôr), duranta a minha vida profissional (sou oficial da marinha mercante) trabalhei inúmeras vezes com refinarias, já que estive embarcado bastante tempo em navios químicos e como tal sei que tudo o que estiver a acontecer na refinaria, condutas, interface navio/cais etc. tem a vêr com a segurança das operações, portanto não é o facto de decorrerem obras em condutas que iliba a refinaria das suas responsabilidades de Gestão da Segurança e Proteção Ambiental, até porque essas obras eram da responsabilidade da refinaria. Já agora penso que o Inquérito ao que se passou deveria estar a cargo de uma entidade independente da refinaria e da tutela, por exemplo uma sociedade classificadora que não seja a mesma que tenha certificado a refinaria, não nos podemos esquecer do grave e trágico acidente ocorrido na Bélgica um ou dois dias antes.
(comentário feito por Embarcadiço)
publicado por João Tunes às 00:49
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6 comentários:
De Joo a 7 de Agosto de 2004 às 11:22
É isso, Carlos. Mas, curiosamente, o Narciso virou o discurso de sábado para domingo. Aquela autarquia tem uns bolsos enormes...


De Joo a 7 de Agosto de 2004 às 11:20
Como já se sabe, caro Werewolf, na altura do acidente, ainda tentaram dar a "golpada Carlyle" no Conselho de Ministros. Parece que não passou mas ainda estamos para ver até Fevereiro 2005.


De Carlos a 5 de Agosto de 2004 às 02:23
Ouvi falar num 'inquérito rigoroso'. Fiquei logo desanimado.


De Werewolf a 3 de Agosto de 2004 às 17:37
João, já em tempos comentamos o negócio Carlyle, penso que também entrou ao barulho o Teixeira Pinto do Abre Latas. Já na altura manifestamos um certo cepticismo em relação ao desfecho na altura anunciado e, como se vê, as coisa vão andando em círculo para ver se nos apanham distraídos. Continuemos pois activos e vigilantes. Abraço.


De Joo a 2 de Agosto de 2004 às 14:04
Obrigado pelo comentário, concordando com a sua posição.


De embarcadio a 2 de Agosto de 2004 às 12:11
O acidente verificado na Refinaria constitui um acidente gravíssimo e custou-me bastante assistir ao espetáculo dado pelo nóvel ministro do Ambiente a justificá-lo como um acidente de obra (seja lá o que isso fôr), duranta a minha vida profissional (sou oficial da marinha mercante) trabalhei inúmeras vezes com refinarias, já que estive embarcado bastante tempo em navios químicos e como tal sei que tudo o que estiver a acontecer na refinaria, condutas, interface navio/cais etc. tem a vêr com a segurança das operações, portanto não é o facto de decorrerem obras em condutas que iliba a refinaria das suas responsabilidades de Gestão da Segurança e Proteção Ambiental, até porque essas obras eram da responsabilidade da refinaria.
Já agora penso que o Inquérito ao que se passou deveria estar a cargo de uma entidade independente da refinaria e da tutela, por exemplo uma sociedade classificadora que não seja a mesma que tenha certificado a refinaria, não nos podemos esquecer do grave e trágico acidente ocorrido na Bélgica um ou dois dias antes.


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