Sexta-feira, 6 de Agosto de 2004

PARA QUÊ TRÊS CAMPANHAS E UMA VOTAÇÃO?

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Tenho procurado seguir a peleja eleitoral para SG do PS. Mesmo não votando na coisa, gosto de saber como vão as coisas no Partido a quem dou o meu voto. Por outro lado, convém acompanhar como se vai construir a alternância a esta desgovernação.

Embora o meu coração já tenha optado. Mas ele não é bom conselheiro e, por isso, está incapaz de ser fonte recomendável para ajudar ao debate. Aliás, é mais mero gosto que argumento substancial. Gostaria de ver o PS re-alinhado à esquerda, despejado do caciquismo autárquico-aparelhista, retomando os valores da fraternidade social como pedra de toque da nossa identidade, respondendo aos desafios da sociedade moderna, livre do lastro “limiano” como projecto de governação.

Confesso que acho José Sócrates uma personagem política misteriosa. Mais parece um melão que só depois de aberto se sabe do seu préstimo. Um melão que teima em não se deixar abrir. E nada pior que confiar numa figura misteriosa para dirigir um partido e, pior, para primeiro-ministro. E assim, votar nele, parece uma espécie de voto em branco que se entrega a um sujeito, para mais antipático pela arrogância não disfarçada.

E, em José Sócrates, irrita-me sobretudo que o seu principal argumento pró seja exactamente o da fatalidade da vitória. Uma espécie de predestinação à vitória que só pode vir das profundezas da inércia do aparelho instalado e em espera da ocupação de lugares para os “rosas”.

O Mário Lino, esperto que nem um alho e a quem aproveito para saudar, lá no Puxa Palavra, abriu o ”debate” sobre a competição e foi lapidar:

“Entre os três candidatos à liderança do PS, todos os analistas e comentadores políticos conferem largamente o maior favoritismo a José Sócrates. Tal decorre, a meu ver, de várias razões, de que destaco:
- o apoio expresso da grande maioria dos dirigentes e quadros do PS;
- o apoio expresso de muitos militantes de base do PS;
- o impacto claramente positivo que a sua candidatura a Secretário-Geral do PS tem tido a nível nacional, quer entre os eleitores do PS, quer mesmo entre os eleitores em geral ;
- a visão estratégica, a seriedade, a modernidade, a acutilância e a determinação postas na defesa de importantes causas e objectivos ao serviço do PS e do País, evidenciados ao longo dos anos no exercício de funções como dirigente partidário, deputado e membro dos Governos de António Guterres;
- a obra concreta realizada no desempenho das funções públicas e partidárias que tem exercido.
Não creio que qualquer dos outros candidatos tenha apoios, qualidades e currículo que se compare.”


Ora bem. Claríssimo. Isto é vitória na mão sem necessidade de debate e que quase remete a votação interna a uma espécie de ritual de consagração. Pois se já há “apoios”, “impacto”, “visão” e “obra”, que mais é necessário? Claro que não se fala em coisas menores como “projecto”, “política de alianças” e “se e como se vão inverter os estragos neo-liberais”. Mas interessarão essas miudezas numa liderança anunciada?

Tanto banzé para discutir “apoios”, “qualidades” e “currículo”? Se o caso é assim, tivessem encomendado a apreciação das candidaturas a uma empresa especializada em gestão de quadros e avaliação de desempenho. Essas empresas pagam-se bem mas sempre saía mais barato que três campanhas e uma votação.

Adenda: O debate está animado e substancial, e para lavar e durar, no Puxa Palavra. Fica a nota para não se pensar que estava a reduzir o nível alto sempre esperado daquela magnífica e aberta equipa. Também são eles que me compensam a amargura da "utilidade" em votar PS.
publicado por João Tunes às 12:25
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2 comentários:
De Joo a 6 de Agosto de 2004 às 14:04
Vamos pois. Abraço.


De Mrio Lino a 6 de Agosto de 2004 às 13:42
Meu caro João Tunes
Um abraço com as minhas cordiais saudações.
Não sei se destes por isso, mas estás já a participar no debate. E vale, evidentemente a pena.
Como conheço relativamente bem o José Sócrates, não me sinto perante "um melão". De qualquer forma, considero fundamental que se conheçam as posições deste e dos outros candidatos sobre temas como os que referiste e que não são nada "miudezas". Mas estou convicto de que eles irão abordar essas questôes nas suas intervenções públicas e nos seus programas eleitorais. E acho que todos nós, se estivermos interessados, também devemos emitir as nossas opiniões sobre esses temas. Vamos a isso?


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