Quarta-feira, 25 de Agosto de 2004

ASSESSOR DE IMAGEM(com dedicatória a um amigo)

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Como ando em "polémica" com o João Abel Freitas sobre Angola e para amenizar a disputa (que é mais um prazer que outra coisa), dedico-lhe esta imagem que me disseram ser (mas não confirmei) do assessor de imagem fotográfica de Monsieur Falcone, Embaixador da República de Angola na Unesco.

(claro que a dedicatória vai embrulhada com um abraço amigo mais um pedido de desculpa pela impertinência)
publicado por João Tunes às 17:14
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VÍCIO DOS BLOGUES

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Há quem, mesmo em férias e em andanças, não dispense a internet. Vamos lá ver se, no meu caso, arranjo carga mais leve...
publicado por João Tunes às 15:34
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A MATRIARCA DAS "FINADERAS"

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Ainda falando de África, agora sobre a sua cultura, é de não perder o post do Silvenius sobre Násia Gomi e o delicioso excerto que foi transcrito de uma entrevista. Que sabedoria!
publicado por João Tunes às 15:25
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4.000 KM SOBRE RODAS

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Falava eu de se ter a carcaça em condições para viajanças e eis que espreito o blogue do Jorge Neto, confirmando que ele já vai, ao volante do seu “bólide algum terreno”, deserto fora e África dentro.

São 4.000 km de Lisboa a Bisssau de prazer de gosto pela aventura e pela descoberta. Que inveja. Pois, é o que vale ser-se um puto com vinte e mais alguns anitos. Que ele aproveite bem e chegue ainda melhor ao seu destino.

Para já, a coisa não começou mal, o ânimo é alto e tanto que até a polícia marroquina (de que guardo recordações que ainda hoje me fazem ranger a raiva) merece elogio rasgado. Porque é preciso ser-se muito feliz para se gostar de um polícia (aqui e em qualquer lugar do mundo, penso eu). A não perder os relatos desta aventura, rica na crónica e na imagem. Tanto mais que desconfio que o Jorge até debaixo de um camelo (ou dentro de uma capulana vestida) arranja forma de blogar.

No final, merece medalha. Até lá, vamos torcer por este atleta das africanidades.
publicado por João Tunes às 14:47
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MIRAGEM

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A saúde não anda nada boa. De há uns dias a esta parte, ando com visões estranhas. Serão miragens? É que só vejo Pirâmides à minha frente.

E como vou aguentar mais uma semana para passar da ilusão à realidade? A culpa é do meu Pedro, filho cruel que quer arrastar a minha carcaça gasta até ao vale do Nilo. E eu, armado em pai condescendente, sem curar do estado do corpo habitando idade para ter juízo, lá me presto a ir, armado em puto prazenteiro de corpo disposto a tudo aguentar.

Angústia de prefácio: haverá por lá net (mesmo sem acentos) ?
publicado por João Tunes às 12:55
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RELATIVIZEMOS (1)

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O João Abel Freitas, depois de uma viagem a Luanda colocou no seu blogue interessantíssimos posts de reflexão sobre a situação vivida em Angola e reflectindo sobre a forma de aquele país ultrapassar os seus problemas e seguir na senda do progresso e da democracia. Com o título “Relativizando as Ideias”, o JAF já vai no sétimo texto de reflexão.

Como o tema me motiva, coloquei aqui um post de discordância inicial (intitulado “Optimismo vindo de Angola”) e tenho semeado no Puxa Palavra os meus comentários de alimentação de polémica. Como os argumentos são de substância (e o JAF pretende, e eu louvo, dar alguma profundidade à reflexão) tenho por lá estendido o guardanapo e já mereci o justo reparo de outro comentador que andava para ali a colocar posts e não comentários.

No seu sétimo post, o JAF responde às minhas observações e discordâncias. Para lhe responder a preceito, já não me atrevi a ir lá aos “comentários” do Puxa Palavra. Prefiro alargar-me por aqui, onde tenho privilégios de propriedade de espaço para comentar os seus últimos argumentos. Cá vai.

Caríssimo João Abel,

Agradeço a tua disponibilidade para prolongar este diálogo sobre um tema que julgo do maior interesse. Isto porque, queira-se ou não, estamos e estaremos ligados a África de língua oficial portuguesa. Pelos interesses, pela economia, pela língua oficial (luta difícil esta de preservar este laço que é bem volátil), pelo sentimento, pelo que resultou de cruzamento de culturas, pelas vagas migratórias, enfim, tanta e tanta coisa.

O desporto é sempre um bom aferidor de como as coisas se passam ao nível dos sentimentos mais profundos da cultura disseminada e entranhada. Viu-se como os africanos, nesses países, viveram a carreira portuguesa no Euro 2004 e como tomam partido nas disputas clubistas cá da casa (uma vez, na Praia, calhou chegar uma hora antes de começar um Benfica-Sporting e fiquei atónito com o monumental engarrafamento das muitas dezenas de milhares de cabo-verdianos que, vindos da periferia - onde não há televisão -, equipados a rigor com as indumentárias dos dois clubes, se dirigiam em massa para os cafés da cidade onde havia televisão, vibrando com um fanatismo clubista capaz de fazer passar por anjo o mais fanático cá da terra). Infelizmente, o contrário não tem a mesma dimensão (e isso dirá alguma coisa ou, se calhar, muita coisa). Aqui não se acompanham as façanhas da Mutola ou da selecção de basket de Angola (e estou a falar de dois casos de afirmação no top do desporto mundial), por exemplo, com a mesma vibração com que os africanos acompanham as nossas venturas e desventuras. Mas acredito que alguma frieza notória que por aí se nota em adoptar o Obikwelo como nosso se deve também (mas não só) ao facto da distância perante a sua origem nigeriana. Fosse ele naturalizado mas nascido em Angola, Moçambique ou Guiné e não tenho dúvida que a adopção seria mais intensa e menos valorizado (ou mesmo esquecido) o factor do local de nascimento. E é sintomático que, perante Mutola (uma das maiores atletas de todos os tempos), há alguma distância porque ela representa Moçambique. E aqui, ama-se quem de lá vem para aqui vestir (e servir) a farda verde-rubra ou a de um dos nossos clubes domésticos. Porque, o busílis é que, no conceito de pátria dos portugueses, pátria mesmo, a sério, é Portugal. Angola, Moçambique e por aí fora, ainda são vistas como fugas falhadas para fora da sombra da bandeira. Pátrias faz-de-conta, melhor dizendo.

Vem este desvio pelo desporto (tenho que me defender para evitar entrar na economia pela desproporção abissal entre os nossos saberes) a propósito do que muito justamente referes sobre os preconceitos que subsistem no olhar da maioria dos portugueses sobre África. E, sobre isso, assino por baixo dos primeiros parágrafos do teu sétimo post sobre Angola. E concordo em absoluto que, quem se conseguir libertar das ataduras do eurocentrismo (seja do “fel” ou do ”mel”), tem obrigação de se chegar à frente.

No meu entender, esses jovens países têm problemas (gravíssimos) mas nós também os temos e não são pequenos (no olhar para eles e no saber entendê-los). E sabemos de onde tudo vem e em que quase tudo é alimentado. Tem a ver, julgo que seja claro, da demagogia (que não para de crescer, sobretudo desde a entrada do PP na coligação governamental) do fantasma dos “crimes da descolonização”. E que constitui uma poderosa cortina de fumo (que se suporta numa estratégia revisionista, cujo principal pilar é a recuperação da heroicidade, grandeza e justeza da “guerra no ultramar”) para incapacitar o entendimento do que foi a colonização, a impossibilidade histórica e política de a prolongar e a forma brutal e teimosa como fechámos todas as portas a uma outra transição que não a da via militar. Julgo que este trauma, ainda por cima com uma não despiciente base social de apoio (oficiais de carreira, ex-combatentes e colonos expelidos pela descolonização e pela resistência à descolonização), está com as feridas a abrirem-se e com gente a deitar-lhes sal para as avivar. E o principal problema será o encolher de ombros (que julgo detectar) e o calar dos que pensam diferente. Pela parte que me toca, direi que era o que faltava ter sido militante anti-colonial durante o fascismo para me calar agora que vivemos em democracia. Exactamente por assim pensar, é que, no meu blogue e desde que o lancei faz agora um ano, não desisto de defender o meu ponto de vista sobre a descolonização entendida como resultante de uma colonização real e que bloqueou, fechando-se sobre si própria. Tentando dar o meu testemunho, que é, afinal, a única forma que tenho de “rentabilizar” os dois anos da minha vida em que me mandaram servir o colonialismo na guerra colonial.

Entretanto, não vejo forma de se ter o mínimo de autoridade para se falar na colonização e na descolonização sem que não se deixe cair ao chão uma sequer de todas as muitas e duras críticas que se têm de fazer ao modo como o MPLA, a Frelimo e o PAIGC, consolidaram o poder, o usaram e o usam, a forma como desgovernam o seu povo (governando-se), os abusos de poder, a resistência à democratização e a forma como se desenvolve a acumulação de capital das burguesias nascentes. E, também neste aspecto, a minhas mãos ainda não se cansaram do teclado. Porque também acho que tenho autoridade para verberar aos actuais dirigentes daquelas cleptocracias a traição aos ideais, aos princípios e às inspirações com que esses Movimentos foram criados e pelos quais, muitos, em muitos lados, deram a vida e construíram causas hoje apunhaladas.

E, neste aspecto, a opinião pública e a comunidade internacional tem que ser exigente para com esses governos. Não se trata de interferir nas suas soberanias, mas sim de lhes exigir, se não querem ser párias da comunidade internacional democrática, provas de que respeitam os princípios democráticos, respeitam os direitos humanos, permitem as liberdades essenciais e a separação de poderes, não reprimem a existência de uma imprensa livre e a formação de uma opinião pública cada vez mais exigente. E, penso que sobretudo esses governos têm de provar que, em vez de alimentarem a corrupção, vão tomar medidas para a combater e permitir que ela seja combatida ao nível do aparelho policial e judicial. Por exemplo, é inadmissível (por lesivo do Estado e por decência) que, quando precisei de cambiar dinheiro em Luanda e teimando fazê-lo oficialmente num banco estatal angolano (junto ao Hotel Presidente), tenha atravessado a porta pejada de candongueiras de moeda, sentadas na soleira da porta e protegidas pela segurança do próprio banco, sendo recebido com enorme má vontade e olhar furioso pelo empregado bancário que me atendeu e que, a contra gosto, lá me fez o câmbio com péssimos modos a roçar a hostilidade (porque ao recusar o mercado informal eu estava a violar uma forma de ali se viver, tendo eu cometido uma espécie de agressão cultural e eventualmente ofendido interesses partilhados entre as candongueiras, os seguranças e os empregados do banco, gamando o Estado como é óbvio). Porque, convicção minha, enquanto a corrupção for um modo “normal” e vulgar de se viver nesses países, nunca neles a democracia vingará de forma sólida e haverá sempre a tendência de se voltarem às guerras civis e a novos ciclos de desgraças para os seus povos e para as nossas consciências. E também aqui concordo absolutamente contigo que têm de ser consolidados os passos de compromissos internacionais, através da ONU, da UA e da EU, para que se criem plataformas evolutivas mas controladas no cumprimento dos compromissos.

Dizes que sentes “dificuldades em separar, neste processo, a evolução africana, Angola, Moçambique, São Tomé, etc., a evolução da América Latina, etc., de todo um sistema que “se esboroou” a partir das transformações no Leste europeu, originando situações em termos de direitos humanos muito piores do que as que vigoram na dita sociedade ocidental, apontada como a sociedade a substituir”. E aqui não entendi onde queres chegar. Sendo um facto aquilo que dizes, o que é que isso explica ou justifica? A opção de campo geo-político e geo-estratégico foi tomado pelos Movimentos/Partidos no poder. Não foi qualquer maldição que lhes caiu na rifa (embora o colonialismo português tudo tenha feito para os empurrar para o Leste). As direcções dos Partidos no poder até foram flexíveis e lestos a mudarem de campo quando ao “socialista” lhe deu o fanico. Mudaram rapidamente da cartilha m-l para a integração acelerada na nova burguesia da economia de mercado. As grandes vítimas (os povos) é que foram e são sempre os mesmos, antes com o “socialismo científico”, depois com o “capitalismo selvagem”, com devastadoras guerras civis pelo meio. Disse que não entendi mas acrescento que gostava de entender. Tu explicarás se a paciência ainda te sobrar depois de aturares este arrazoado.

Aquele abraço.
publicado por João Tunes às 11:25
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Terça-feira, 24 de Agosto de 2004

BURKA

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UMA MULHER OU UM EMBRULHO?
publicado por João Tunes às 18:07
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"HERÓIS DO MAR"

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Estou de acordo com alguns textos por aí aparecidos sobre as façanhas desportivas de Francis Obikwelu. Gostei particularmente dos que foram estampados aqui, aqui e também aqui.

Claro que um desportista a representar um país em função de uma naturalização de conveniência, suscita sempre engulhos e algum mal estar patriota. Já tinha acontecido com Deco, mas como fala português e era do futebol (já agora, também é branco ou parece!), lá passou. Os preconceitos vêm mais ao de cima quando as origens não se prendem com a nossa área de influência histórica e, sobretudo, o espírito crítico e os escrúpulos aumentam quando se sai da área sagrada do futebol. Aí, as reticências pela origem, pela cor de pele e pela condição social, sobem de tom e de rigor.

Habituámo-nos a projectar os desejos de glória internacional no futebol, no hóquei em patins e nas corridas de fundo, com umas passagens esporádicas pelo vólei de praia (!) e pelo judo. Agora, para mais, aumentando o exótico, brilhámos em modalidades onde não tínhamos tradição de projecção olímpica (ciclismo e velocidade) e fomos vergonhosos no trato do pontapé na bola. Sérgio Paulinho (alinha pelo Bombarral ou lá o que é… não é?) foi menos patrioticamente sentido como herói do que se fosse doutra modalidade “mais destacada”. Obikwelu (isso é nome que se tenha?) brilhou e prepara-se para novos feitos naquela que sempre foi a nossa maior pecha no atletismo – corridas de velocidade máxima. E, só por isto, pelo empurrão que vêm dar em poder de atracção por modalidades menos valorizadas, merecem celebração a dobrar.

Hoje, lendo os jornais, fiquei a saber mais sobre Obikwelu. Sobretudo através de uma senhora que o apoiou quando ele, sem papéis, foi forçado a ir trabalhar para a construção civil. O testemunho da dignidade e persistência deste jovem, então com 16 anos, fez-me senti-lo mais português que muitos (tantos!) que o são de muitas gerações. E a senhora que o apoiou e dele falou também a senti como patrícia de lei, pela emoção que ela passa a falar do “seu menino”. É assim que se faz uma pátria – com os melhores e os mais dignos.

Paulinho e Obikwelu, quando cantamos “heróis do mar” também é de vocês que falamos. E, desta vez, é que meto mesmo a bandeira na janela.

Adenda: E com mais uma medalha, de bronze mas honrada, do notável Rui Silva que brilhou numa das distâncias mais difíceis, vai mais uma bandeira para outra janela. E se outras medalhas vierem, particularmente a golden para o Francis nos 200 metros, a minha casa vai parecer um arraial. Vou fazer inveja à vizinhança que ainda não tirou as agora esfarrapadas e comidas pelo sol bandeiras futebolesas do euro-patriotismo. Quanto à decoração da viatura, fica para quando o governo santanete parar de dar empregos e sinecuras à corte dos seus muitos assessores e amigos. Allez!
publicado por João Tunes às 17:36
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O BEBER E O SABER

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Ainda há pouco tempo, julgo que foi o Alex, chamava-se a atenção para o facto de os estudantes timorenses terem falta de livros de estudo em português e fazia-se um apelo a que os mesmos fossem enviados em gesto de solidariedade.

Revoltante é haver estudantes que querem estudar e não terem por onde. O que significa que ainda falta muito para que o Saber seja globalizado.

Lembro-me de, no meu tempo de adolescente (claro, com muitas excepções à mistura), enquanto para alguns meninos a aquisição dos livros representava um enorme rombo no orçamento familiar (e muitas vezes, o que valia era os livros passarem dos irmãos mais velhos para os mais novos) havia outros que os tinham em barda, não para estudar mas sim para os “passear”.

Pois lembrei-me de Timor quando li hoje que os estudantes britânicos gastam o triplo da despesa em livros com bebidas alcoólicas consumidas em bares (qualquer coisa, por ano, como 700 milhões de euros!).

Norte/Sul, Oeste/Este. Globalização dos mercados. E do Saber?
publicado por João Tunes às 16:48
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Segunda-feira, 23 de Agosto de 2004

JOGO LIMPO

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Chavez e Lula têm a mesma legitimidade democrática de governarem e concretizarem os seus planos de reformas que todos os governos de direita eleitos pelo voto. Desde, é claro, que se sujeitem ao processo de aferição da vontade popular e assegurem a alternância. No caso de Lula, tudo indica nesse sentido. No caso de Chavez, talvez sim.

Não são admissíveis os rancores ou os murmúrios que se ouvem sempre que, por meios democráticos, um populista de esquerda chega ao poder. Isso é transformar o jogo democrático de escolha num jogo viciado com um único trunfo. E pertencem à família dos que apoiaram Pinochet contra Allende. Não muito longe, é verdade, dos que querem Castro e rejeitam Bush.

Mas quer Lula quer Chavez (e grande parte dos apoiantes de ambos) têm um problema que é igualmente um problema de status democrático. É que, governando estes por virtude da escolha democrática, desvalorizam-na ao aliarem-se a quem não pratica nem permite a democracia na sua terra. Falamos da ditadura castrista em Cuba, é claro.

Fidel Castro não merece a legitimidade indirecta que recebe através de resultados eleitorais obtidos em democracias. Ele que permita em Cuba a vida política e as eleições livres que permitiram que Chavez seja Presidente da Venezuela e idem com Lula no Brasil. Depois, se ganhar, então aliem-se e sejam muito felizes.
publicado por João Tunes às 15:35
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