Quinta-feira, 24 de Junho de 2004

UM REI COM MAU PERDER ?

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Foto roubada ao Duas LInhas.
publicado por João Tunes às 12:53
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2004

UM MÁRTIR DA VERDADE

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Carlos Cardoso é um símbolo do jornalismo onde ser-se jornalista exige coragem e gostar-se da verdade pode exigir a própria vida.

Carlos Cardoso, moçambicano de segunda geração, simpatizante frelimista, fez da verdade a máxima dos que acreditam que ela é sempre revolucionária.

Carlos Cardoso meteu-se com a mafia frelimista e levou. Assassinaram-no porque, hoje em Moçambique, a corrupção é poder e a verdade é intolerável porque o poder está corrompido desde o Palácio Presidencial até aos escritórios administrativos espalhados por aquele imenso território. De país independente transformou-se rapidamente em país de rapina. Enquanto Carlos Cardoso se manteve moçambicano, amando Moçambique, a elite frelimista retornou ao pior da tradição do poder colonial apeado, sobretudo quanto a prepotência e desprezo pelo povo. Ainda por cima, Carlos Cardoso era branco, portanto um alvo mais fácil para abater. O racismo também mora ali e de que maneira.

No funeral de Carlos Cardoso, a que Chissano teve a pouca vergonha de comparecer, Mia Couto dedicou-lhe estas palavras cheias de peso e sentido: "Não estamos chorando apenas a morte de um homem. Não foi apenas Carlos Cardoso que morreu. Não mataram somente um jornalista moçambicano ... morreu um pedaço do país, uma parte de todos nós.".

Sobre Carlos Cardoso, acaba de ser editada pela Caminho, uma biografia intitulada É proibido pôr algemas nas palavras da autoria de Paul Fauvet e de Marcelo Mousse. A não perder pelos que amam Moçambique e a Verdade.
publicado por João Tunes às 20:28
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OLIVENZA

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O Arcabuz é um novíssimo blogue que vem acrescentar valor (como agora se diz) à blogosfera. Tiros certeiros. Apesar da arma ser de museu, o que só contribuirá, positivamente, para a suavidade de estilo dos disparos.

Está lá um excelente post sobre a "questão" de Olivenza que, pelos vistos, vai ter dignidade de tratamento revivalista na Assembleia da República. Mais argumentos para quê?

Acrescento apenas que só cá faltam os Grupos de Amigos de Lourenços Marques, Porto Amélia, Vila Pery, Nova Lisboa, Silva Porto, Salazar, Carmona e Teixeira Pinto, reivindicando, no mínimo, o retorno aos nomes de antigamente.
publicado por João Tunes às 20:24
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XENOFOBIA MASCARADA DE IGNORÂNCIA EM GEOGRAFIA POLÍTICA

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Um ucraniano assassina um inglês em Lisboa. A PSP prende o homocida e faz comunicado público a dizer que o sujeito é croata.

Embaixada da Croácia protesta e chama incompetente à PSP.

PSP confirma que que o homicida era ucraniano.

Comandante da PSP telefona ao Embaixador da Croácia e pede desculpa.

A Embaixada da Croácia aceita o pedido de desculpas da PSP.

(A xenofobia também é isto: croata, ucraniano, romeno ou moldavo, é tudo a mesma gente. Lá para aquelas bandas. Navalhadas é com eles.)

O Comandante da PSP ainda não pediu desculpas aos portugueses.

Os portugueses têm o direito de não aceitar o seu pedido de desculpas mas aceitar o seu pedido de demissão. Para que seja substituído por um oficial que saiba e ensine geografia política à PSP.
publicado por João Tunes às 14:59
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REFALANDO SOBRE LUIS FIGO

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No post que coloquei "Pensamentos à Figo", pretendi sublinhar o absurdo da acesso de estupidez que acometeu este notável atleta. Figo, em pungente conferência de imprensa, rejeitou críticas ao estado actual da sua performance desportiva, negando direitos de intromissão no "lugar de culto sagrado" do futebol a todos que fossem estrangeiros da profissão/arte, terminando com esse lancinante murmúrio de coerência em que dizia que ele "não falava sobre cinema ou pescas".

Não o colocando nos píncaros olímpicos (acho que há melhor, bem melhor), considero Luis Figo um excelente e fora-de-série futebolista. Mas, pelo seu desgaste (derivado em grande parte pelo seu enorme profissionalismo e entrega), Luis Figo entrou na fase descendente da sua carreira (como ele reconhece ao prever apenas mais dois anos de prestação desportiva). É a lei da vida. Como aconteceu a Paulo Sousa (já arrumou as botas) e está a acontecer a João Pinto, Fernando Couto, Rui Jorge e Rui Costa. Pelas suas características e posicionamento, Figo ainda pode contribuir para a Selecção mas a Selecção já não pode depender de Figo (pelo menos, na totalidade dos noventa minutos). Neste Euro, Deco, Costinha, Maniche e Cristiano Ronaldo são as chaves consistentes do domínio do meio-campo, contenção e armação do ataque luso. Como na defesa, é a defesa "base Porto" (o Miguel andará por lá mais pela velocidade de recuperação de terreno que por méritos defensivos, mais esse portento chamado Jorge Andrade que ocupa o lugar do mais que gasto Jorge Costa, restando esse enorme equívoco indecente e teimoso de Scolari a guardar a baliza e onde devia estar Baía).

O futebol é o que é, porque todos sabemos de futebol. Até eu. O facto de cada espectador ser um treinador e ter opinião sobre tudo é que permitiram que ele se tornasse tão popular e no maior espectáculo de massas. É isto que lhe dá proveito e proventos, tendo-o transformado na maior das indústrias do espectáculo. Ao estado a que as coisas chegaram, não sou dos que lamentam os milhões ganhos pelos "artistas". Até acho bem que eles sejam principescamente remunerados num espectáculo de enormes receitas e em que são eles os artistas. Mas tudo assenta na mesmíssima base: a maioria gosta de futebol, toda a gente entende de futebol, toda a gente fala sobre futebol, toda a gente tem opinião sobre futebol. Ninguém precisa de ler uma linha sobre futebol para fruir o espectáculo dos noventa minutos. Tanta "democraticidade" tem, inevitavelmente, que comportar rios de disparates pois, quanto a acerto, cada qual tem o seu.

Um artista não pode querer que se apenas fale deles quando está no auge ou quando joga bem. Negar o direito de crítica ou de comentário a "leigos" é negar a actividade em que se meteu. Fazê-lo, como Figo fez, é uma estupidez e um acto retardado de não saber fechar em beleza e com modéstia uma extraordinária carreira. E imaginemos o que aconteceria se idênticas atitudes tivessem sido assumidas pelos outros "grandes artistas" preteridos (Rui Costa e Fernando Couto). Foi, repito, uma estupidez de "prima donna" com rugas.

Em vez das palavras estúpidas que atirou, Figo podia falar sobre cinema e sobre a política para as pescas. Demonstrando que é um cidadão e como homem de interesses mais largos que o da arte em que é mestre e dos anúncios onde amplia o pé de meia à custa do fascínio que exerce enquanto futebolista. Dando a todos o direito de falarmos sobre futebol e sobre a performance de todos e cada um dos artistas da bola.

Foi isto que quiz sublinhar no tal post. Tentando demonstrar o absurdo da estupidez das palavras de Luis Figo.

O José Flávio Teixeira do Ma-Schamba, idólatra confesso de Luis Figo (tem esse pleníssimo direito), albergou, ontem, honras de transcrição ao meu post. O que só posso agradecer como é óbvio. Tanto mais que o fez acompanhar de dois simpatiquíssimos mails pessoais repletos de elegância, consideração, hedonismo e bom humor, onde até transparece uma certa ternura que ele terá por mim e que deve ser efeito do respeito que se tem por um "mais velho", que é coisa que depressa se aprende em África. Já aqui disse o quanto aprecio o Ma-Schamba, uma referência e objecto de culto cá da Bota. Apesar de ele estar bem à minha direita (o que só dá colorido aos nossos bate-papos), encanta-me ler os posts de José Flávio Teixeira, pela elegância elíptica e reinventiva da escrita, pelo rigor dos conceitos e da metodologia do conhecimento, pela imensa cultura e pensamento profundo que se respira em cada palavra escrita, pelo seu fair-play, porque traz o Moçambique de que tanto gosto através de um olhar lúcido, crítico e distanciado (o que é notável, porque ele vive lá). Pela sua parte, sei que esta Bota é sua visita diária (ainda hoje voltou a referir o Bota Acima a propósito da homofobia) e, de quando em vez (quando terá tempo) por aqui deixa o seu comentário, sempre elegante, considerante, cúmplice mas frontal, afinal amigo mesmo. Estou convencido que, se tivéssemos oportunidade de nos conhecermos pessoalmente, seríamos dois bons amigos para o resto da vida, desafiando o avanço da noite em intermináveis polémicas de estimação e na exacta medida em que o tinto alentejano fosse descendo na garrafa (funcionando como ampulheta da amizade sadia). É o que também tem de bom a blogosfera - enquanto não surge a oportunidade para o abraço, a partilha e a comemoração, vai-nos restando colheitas de boas amizades virtuais. Um abraço do tamanho da distância entre o Atlântico e o Índico, caro José Flávio Teixeira. Kanimanbo Mozambique!
publicado por João Tunes às 14:55
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Terça-feira, 22 de Junho de 2004

DURÃO NÃO É PESETERO

durao.gif

Leio e fico embasbacado: querem levar o nosso Durão para presidir à União Europeia! Agora, agora mesmo, que ele ia remodelar e a retoma está aí. Quando ele, finalmente, limpou os ouvidos e escutou a voz vinda das entranhas das urnas de voto.

Mas Durão não é um pesetero que troque as agruras do gabinete em Lisboa pelas mordomias e sainete da Europa Unida e Larga. Ele gosta de nós. Ele gosta de ser nosso Primeiro. Ele ficou feliz naquela feliz fotografia das Lajes.

Ele, Durão, continuará nosso, muito nosso. A Europa não tem culpa.

Adenda: Afinal a Europa tem culpa. E nós também. Porque a Europa prefere "pequenos" que não chateiem os "grandes". Porque aqui chegou a hora do populismo em que a vaidade substitui o voto. Pobre Europa. Pobres de nós.</b>
publicado por João Tunes às 15:49
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CONSTITUIÇÃO EUROPEIA ?

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Recebi há pouco, pelo telemóvel, uma mensagem a alertar-me que tínhamos nova Constituição Europeia e que a nossa (a portuga) tinha ido à vida. Não quero acreditar. Será possível que tal tivesse acontecido enquanto estávamos entretidos com a euro-futebolada? E perdemos soberania quando os portugueses, finalmente, estavam arreigados, como nunca por mares antes navegados, aos símbolos da nossa soberania, bandeira na mão e hino nas gargantas? Agora que um referendo de aclamação tinha declarado o amor profundo do nosso bom povo aos valores republicanos? E (quem sabe?) até o Dom Duarte Nuno por aí ande a festejar com a verde-rubra em punho e a pedir apoio à Carbonária regicida, rondando a estátua do António José de Almeida que já foi reduto exclusivo de romagem dos velhotes dos Centros Republicanos.

Pronto. Simplesmente não acredito. Mas mudando de assunto e indo ao importante: o que acham de se meter o Moreira no lugar do Ricardo?
publicado por João Tunes às 15:36
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"BIFES" PRÓ MANETA

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O Almirante Nelson era maneta. Sim, o da batalha de Trafalgar. Que é o mesmo da Trafalgar Square. Que é o sítio onde os "bifes" se juntam e tomam banho para curar as bebedeiras.

De Almirantes sabemos nós. Tantos e bons que tivémos. E ainda temos. E nenhum era ou é maneta. Um dos nossos Almirantes foi Intelectual-Presidente e fazia excelentes discursos que partiam o coco à malta de tanto nos rirmos. Esse era careca, tinha uma mulher que era um susto, mas não era maneta. Outro nosso Almirante mandava a populaça à bardamerda mas era valente e avisava que era só fumaça e não era maneta. Aliás, mareantes que fomos e somos, de Almirante cada português tem um pouco.

O Almirante Nelson, o protector dos "bifes" bêbados, era maneta. Eles que metam um maneta na baliza a ver se melhora a qualidade de vida do lumpen e chineses que vendem bandeirinhas baratinhas. Ou então, não mexam no guarda-redes que lá está (não é maneta mas parece) que o Almirante Nuno trata dele.

Eu quero é que eles desamparem o Rossio, larguem o Dom Pedro (que não era Almirante e muito menos maneta) e voltem para a sombra do maneta deles, curarem as bebedeiras da derrota.

PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!
publicado por João Tunes às 12:59
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NÃO ENVERGONHEM A MARIANA

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Acho que a Mariana tem razão.

Embora ela concorde inteiramente com a febre patriótica-bandeiral, acha mal, por razões de estética e de respeito para com o símbolo maior, que se andem para aí a pendurar bandeiras luso-republicanas nos estendais da roupa, presas com molas e em companhia promíscua com cuecas e peúgas.

A Mariana é patriota mas exigente. Nem sequer acalma com a ponderação de que isto é tudo resultado de falta de prática. A maioria dos portugueses nunca tinha tido na mão uma mão cheia de bandeiras. Vai daí, espeta-se uma bandeira onde calha. Para o próximo Europeu, tudo vai correr melhor.

Mas, para não irritarem a Mariana, solicita-se a todos os co-patriotas que mantenham a dignidade devida ao máximo símbolo nacional. Bandeirem, mas com estética. Por favor.

Adenda: Diz o Carlos, também indignado, que já viu a nossa bandeira, em talhos, à mistura com morcelas e chouriços. Aqui, que me desculpem o Carlos e a Mariana, não sei não. Talvez uma morcela estivesse melhor (mais genuína a representar as nossas façanhas) que a esfera armilar de um império que já se foi. Com cuecas e peúgas, isso é que nunca.
publicado por João Tunes às 12:51
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PENSAMENTOS À FIGO

pensador.gif

Um jogador de futebol joga futebol
Uma bola rebola
Um jornalista escreve em jornais
Um jornalista desportivo escreve em jornais desportivos
Um mendigo mendiga
Um modelo modela
Um engenheiro engenha
Um enfermeiro enferma
Um reformado reforma
Um antropólogo antropologa
Um antropólogo social antropologa socialmente
Um blogueiro bloga
Um moçambicano moçambica
Um português portuga

ou

Um jogador de futebol não escreve em jornais
Um jornalista não rebola a bola
Um jornalista desportivo não enferma
Um mendigo não é pesetero
Um modelo não engenha
Um engenheiro não modela
Um enfermeiro não reforma
Um reformado não antropologa
Um antropólogo não bloga
Um antropólogo social não escreve em jornais desportivos
Um blogueiro não antropologa socialmente
Um moçambicano não portuga
Um português não moçambica
publicado por João Tunes às 12:37
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