Segunda-feira, 31 de Maio de 2004

UM AUTOCOLANTE XOXO PARA UMA CAMPANHA XOXA DE UM CANDIDATO QUE SE É XUXA NÃO PARECE MAS SE CALHAR AT

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O Bloff ofereceu-me o raio deste autocolante e não sei o que fazer-lhe. Se o ponho ao peito, vão pensar que uso peacemaker. Se o meto na testa, dirão que só raciocino movido a pilhas. Se o colo ao cinto, vem a polícia atrás de mim por suspeita de ser homem-bomba.

Já estou arrependido de ter apoiado o Harpo, com a mania fixada que o melhor de Marx está nos Irmãos Marx. E fica garantido: até fim da campanha não apoio qualquer candidato. Depois das eleições, logo se vê.
publicado por João Tunes às 22:29
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TESTE VIRTUAL

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Suponhamos que estamos na praça principal de uma qualquer cidade no mundo – Nova Iorque, Bruxelas, Paris, Londres, São Paulo, Lisboa, Buenos Aires, Helsínquia ou Madrid.

Suponhamos que dois parceiros resolvem montar, lado a lado, dois quiosques de venda de souvenirs políticos. Um, monta o seu quiosque com quinquilharias nazistóides (cruzes suásticas, bilhetes postais com a foto do Hitler, capacetes da Wermacht, cartões de membros do PNSA, caveiras das SS, etc), enquanto o outro resolve diversificar produtos, encenando concorrência, oferecendo no seu quiosque, recordações do comunismo real (estatuetas grandes, médias e pequenas de Lenine, t-shirts com a efígie de Estaline, cartões de agente da Stasi, gorros do Exército Vermelho, camisetas da selecção CCCP, pedrinhas apresentadas como pedaços do Muro de Berlim, etc.).

Aposto que a reacção não deixaria de ser: caras fechadas e repulsa perante o quiosque nazistóide; curiosidade e farta galhofa perante as recordações do outro totalitarismo. E os parceiros, em nome do bom negócio, acabariam por se verem livres da tralha do primeiro quiosque e alargar ao seu espaço a venda das quinquilharias do outro quiosque.

E depois? Nada de especial. Apenas um caso, entre tantos, de dois pesos e duas medidas. E de selectividade da memória para com aqueles que foram e são vítimas. Alguns mortos e torturados têm hoje a “recompensa” do ódio universal aos seus carrascos. Outros mortos e torturados (pessoas como qualquer pessoa) ainda vão sofrendo a cumplicidade universal, galhofeira ou silenciosa, para com os seus carrascos porque estes se pintaram e se pintam de vermelho.
publicado por João Tunes às 18:46
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O APELO DA VINHA

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Amílcar, jovem camponês, veio de um dos sopés da Serra do Marão, na mancha de vinhedos que se entendem desde Fontes até Santa Marta de Penaguião. Para cumprir o serviço militar. Depois, ficou-se por Lisboa a desenrascar-se como marçano. A namorada foi mandada vir da terra, casamento amanhado e vida em comum na intimidade exposta de um quarto alugado com serventia da cozinha e da barraquinha montada na varanda para alívio das necessidades.

Amílcar e Maria do Céu frugalizaram as vidas para se aguentarem no balanço e ainda amealharem algum. Nascida a filha Odete e com o acumular das gorjetas e os recebimentos dos trabalhos de costura, passaram a habitação alugada numas águas furtadas entre a Praça do Chile e o Alto de São João. Melhorou a qualidade de vida com a promoção de Amílcar ao posto de empregado de balcão e com o prestígio alargado de Maria do Céu pelas suas excelentes mãos para as linhas e o dedal. Por artes meio aprendidas, mais as restantes que lhe vinham dos saberes manhosos de camponês que nunca esquecem, tornou-se um pilar dos proventos patronais que lhe valeram uma quota na sociedade Merendinha do Chile, Ldª.

Amílcar tirou a carta de condução e, não tardou nada, coube-lhe uma herança do pai que falecera agarrado ao coração e à vinha. Transaccionou os pequenos vinhedos da partilha em contado e logo depositado no banco. Verdade que lhe custava ficar sem o parco património em terras e vinhedos mas não via forma de dar futuro à filha fora de Lisboa. Como camponês, ele voltara à estaca zero. Isso custava-lhe muito. Mas era a vida. E tempo de pensar em voos mais largos. Que não passavam pelas amarras ao balcão da Merendinha.

O pensamento de Amílcar há muito que se virara para o negócio dos táxis. Um dos seus passatempos favoritos era andar pelo Rossio, rondando a praça de táxis, ouvindo as conversas dos profissionais do volante, tentando extrair das conversas codificadas, os prós e os contras do negócio. Balanceava os custos do gasóleo, das mudanças de óleo e das manutenções. Quanto aos proventos, nada conseguia sacar de ouvido, mas ia fazendo contas de cabeça, tanto por bandeirada, mais o que marcava o taxímetro e os extras para as bagagens na mala, adicionando uma percentagem por conta dos garruços a enfiar à estrangeirada e um cálculo por alto para as gorjetas. Concluiu positivamente e o táxi começou a ser uma obsessão.

O dono da Merendinha estava na fase de querer investir os lucros do negócio da mercearia. Amílcar encheu-se de coragem, atraiu o patrão a um cabrito assado preparado pela Maria do Céu, que seguiu a primeira instrução que o marido lhe dera na vida de não poupar na comida, acompanhou o repasto com pinga vinda da produção de um tio de Santa Marta de Penaguião e propôs-lhe um negócio a calhar aos dois. Compravam um táxi, a quota do Amílcar na Merendinha era trocada pela entrada do patrão em quarenta por cento do capital da sociedade e o Amílcar conduzia a viatura com direito ao vencimento tabelado. Os lucros eram divididos de acordo com a percentagem no capital da sociedade. Negócio feito e celebrado logo ali, com uma reserva de vinho fino que o Amílcar havia guardado com intenção inicial, agora traída, de só ser aberto no casamento da filha Odete.

Amílcar tornou-se um dos castiços taxistas de Lisboa. Conduzia horas a fio o seu Citroen que arrancava à força de manivela, conhecidos como arrastadeiras. Ao fim de dois anos, conseguiu proventos para comprar a parte da sociedade detida pelo dono da Merendinha e tornou-se proprietário único do veículo. Começaram as dores nas costas, meteu empregado para fazer o turno nocturno. O negócio prosperava. A vida era frugal como sempre tinha sido. As economias aumentaram. Os seus únicos gastos eram a bola vista domingo sim, domingo não. No resto, entretinha-se com os relatos do futebol e do hóquei. Adorava o Artur Agostinho, embora lhe topasse a parcialidade que, volta e meia, denunciavam o amor pelo clube rival.

Com cinquenta e cinco anos de idade, pecúlio confortável, casou a filha com o espavento possível, vendeu o táxi e, com os rendimentos somados, comprou vinhas em Fontes, construiu lá uma casa meio apalaçada e voltou para as suas origens camponesas. Na sala, frente à lareira, em duas molduras enormes, lado a lado, fotografias do seu velho e fiel Citroen e o emblema do Benfica. Dessa forma, Amílcar ostentava os seus pergaminhos lisboetas. Maria do Céu deixou de costurar e entregou-se às lides da casa grande e que metiam, numa única divisão, as águas furtadas em que tinha penado uma vida de penúria.

Amílcar lidava com as suas vinhas e discutia com os conterrâneos, arvorando prosápias de homem batido nas manhas da cidade e exprimia-se com a terminologia própria dos taxistas batidos. Nunca dava o braço a torcer perante os argumentos dos patrícios que tinham ficado confinados ao sopé do Marão. Morreu, passados cinco anos, sentado na sala, agarrado ao coração e a ouvir um relato de futebol. A última voz que ouviu foi a de Artur Agostinho.
publicado por João Tunes às 18:24
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E A EUROPA ?

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A campanha começou e anda aí como se esperava. Falta elegância. Faltam ideias. Falta Europa.

A coligação do poder, esbraceja como pode, inventa alvos para desviar o alvo. Tenta evitar o mal maior. Nada fácil, atendendo às burrices feitas.

Os rosas tentam a retribuição pelo mau trabalho alheio. Um partido que tem republicanos monárquicos, socialistas neo-liberais, um secretário geral que não é mas é, um cabeça de lista implantado no centrão apoiado por um ex-líder parlamentar que deixou o lugar para um amanuense. Provavelmente, ficarão em primeiro, não por mérito mas por demasiado demérito de outros. Antes isso, como diria o outro.

A única frisson desta campanha, o único prognóstico que fica para depois, é se o Bloco ultrapassa ou não a CDU. Também aqui um caso de benefício por incapacidade alheia. Bem feita, pois.

Até o Manel é uma decepção. E porque não havia de ser?

Tudo aponta para resultados que não correspondem a méritos mas apenas a orelhas de burro metidas em que as merece. É pouco. É o que temos.

E a Europa? Que Europa queremos? A Europa? A Europa?
publicado por João Tunes às 14:09
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A DESPROPÓSITO DE MAÇÃS

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O Presidente adorava maçãs. Era fruto que ele considerava fresco, saudável e maneiro para comer na empresa. As más línguas até diziam que gostava mais de maçãs que de pessoas.

Quando entrava às oito horas menos um quarto, já tinha sobre a secretária (grande como convém que seja a secretária de um Presidente) o pequeno cesto com o stock renovado dos apetecidos frutos. As suas duas secretárias nunca falhavam neste pormenor importantíssimo. Por vezes, até se atropelavam, duplicavam o suprimento e sobravam maçãs. Quando isso acontecia, as secretárias também comiam maçãs e por vezes ainda sobrava para a recepcionista da Administração.

Quando da primeira reunião do dia, sempre às oito horas em ponto, o Presidente aparecia bem disposto, cumprimentando os directores gerais com a mão direita enquanto a esquerda segurava a maçã que ia trincando enquanto dava a volta dos bons dias. Isto é uma forma de dizer. Porque o Presidente não dizia bom dia, ele perguntava tudo bem? e que tinha um sentido dúbio pois a pergunta tinha mais a ver com os negócios que com o bem estar pessoal dos directores gerais.

O excelente sentido de humor do Presidente era enganador se fosse julgado como um meio de incentivar a interacção. Ele era um sorridente para si. Não apreciava humor alheio. As histórias e anedotas que contava era para satisfação própria e para que os directores gerais achassem graça e se rissem. E eles riam e nunca se atreviam a também tentarem fazer humor. Para o Presidente, as anedotas eram como as maçãs – para consumo exclusivo.

O Presidente tinha a obsessão de reduzir custos. Impunha metas e o estado delas era sempre o primeiro ponto da agenda da reunião matinal. Quando algum director geral se atrasava no cumprimento das metas, o Presidente não aceitava argumentos justificativos e só comentava o que está lá a fazer? e havia substituição na calha. O Presidente gostava mais de maçãs que de directores gerais.

Os directores gerais andavam em pânico. Às tantas, quase todos tinham, na secretária, cestos com maçãs. Se o Presidente comia maçãs pela manhãzinha, os directores gerais comiam maçãs a todas as horas do dia. Só não comiam maçãs à frente do Presidente. Nem este permitiria tal igualitarismo. Por causa das distâncias e do respeito.

Não faltou muito para que todos aqueles que ambicionavam uma promoção ou um bom bónus de gestão passassem a comer maçãs. Para agradarem ao Presidente e ao director geral. Tal chegou a ser o consumo de maçãs na empresa que uma senhora que tinha um lugar de venda de hortaliças e fruta no mercado e que tinha uma sobrinha na empresa - que a informou daquela súbita e histérica apetência colectiva – que pôs o marido que estava de baixa prolongada por causa dos diabetes a montar uma tendinha bem frente à empresa e com oferta em conta de vastos sortidos de maçãs.

O Presidente que gostava de maçãs não demorou muito tempo à frente da Empresa. Veio outro que não era consumidor compulsivo de qualquer fruto e preferia, apenas, trincar pessoas.

Passaram a ser mal vistos, os que comiam maçãs na empresa. A senhora que pusera o marido a vender maçãs frente à empresa, levantou a tenda e concentrou-se no seu negócio no mercado. Porque, na empresa, era mesmo considerada uma ofensa dizer-se a alguém não quer uma maçã?.

O Presidente que prefere trincar pessoas aguentou-se e aguenta-se no lugar. As suas secretárias deixam-lhe, num cestinho metálico sempre bem recheado, listas de trabalhadores disponibilizados e que rescindiram contrato. Para ele ler quando chega à empresa às oito menos um quarto e confirmar que a empresa emagrece todos os dias.

A pouco e pouco, a empresa vai-se tornando autofágica. Hoje, os directores gerais preferem trincar o braço de um colega. Exemplo que já começa a ser seguido pelos colaboradores que ambicionam uma promoção.

O anterior Presidente vai sabendo do rumo que as coisas levam desde que foi demitido da presidência da empresa. E comenta: muitas saudades vão vocês ter do tempo que eu lá estava a comer maçãs. Engana-se. Tirando uma dúzia de saudosistas, ninguém tem saudades do tempo das maçãs. Para a frente é que é o caminho. E é mais fácil deixar de comer maçãs que perder o prazer dos canibais. As pessoas são menos frescas que as maçãs. Que interessa? A moda é comer pessoas. Apenas.
publicado por João Tunes às 12:34
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Domingo, 30 de Maio de 2004

LIÇÃO RURAL

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Teria os meus dez anos de idade e estava a passar férias grandes na aldeia transmontana.

Fiz as minhas amizades com os rapazes ladinos que não tinham sido arrancados da aldeia para serem grandes com estudos e boa vida. Eles sentiam-se honrados com o prestígio de terem na tribo um “menino de Lisboa” e eu ganhava a aprendizagem de conhecer os pássaros, os montes e os vales. Recatado num esconso da cidade, eu não tinha muito para lhes ensinar mas, em troca, eles tinham, e muito, para me cederem lições de malandrices camponesas que me metiam no corpo através de explicações feitas de prática praticada.

Um dia, eles marcam como função aventureira para a tribo infantil: uma colheita malandra de melancias a serem sacadas durante o rotineiro sono de sesta do guarda encarregado de prevenir furtos do apetecido melancial. O reconhecimento estava feito, a hora da sesta era sagrada e sempre no mesmo sítio. Imbuído dos meus valores citadinos, reagi e disse que nem pensar, não era gatuno de melancias ou do quer que fosse. A discussão arrastou-se acesa até que o líder do grupo, um miúdo atarracado que era relapso à escola mas mestre em condução de juntas de bois, encontrou o compromisso convincente. Quem apanhava as melancias eram eles, os da aldeia, eu só ajudava depois a levá-las. Como não queria desfazer-me dos meus companheiros nem deixar impressão acobardada da malta das cidades, acabei por concordar.

O guarda dormia de facto ou em simulação, deitado ao comprido numa sombra de um salgueiro. Eu mantive-me nas encolhas, enquanto os meus companheiros, pé ante pé, se aproximaram das melancias que eram enormes e apetecíveis. Repentinamente, o guarda dá um salto, agarra numa sachola que tem ao lado e inicia a perseguição aos predadores. A catraiada ágil a saltar terras, montículos, arbustos e muretes, desatou toda numa correria em múltiplas direcções para desorientar o perseguidor. Eu fiquei especado devido ao pânico e por falta de preparação para fugas daquele género. O guarda, vendo-me presa fácil, deita-me as mãos ao pescoço e resolve concentrar na minha pequenez o ajuste de contas, alçando a sachola. Expliquei-me com a única desculpa que me veio à cabeça desculpe, meu senhor, mas eu não vim para roubar, eu só vim para ajudar a levar. Salvei-me. O homem largou-me, desatou-se a rir agarrado à barriga, depois limitou-se a identificar-me e mandou-me em paz. Pirei-me devagar, com passo miúdo, para o guarda confirmar a minha inocência e paz de consciência. Demorou tempos e tempos que ouvi, nas minhas costas, as gargalhadas sarcásticas do guarda. Quando a tribo se voltou a reunir, contando eu como me safara da enrascada, lá tive de gramar novas gargalhas, agora em sons colectivos de escárnio agudo, dos meus companheiros de aldeia.

Este episódio ajudou-me a entender bem cedo que não há meios defeitos nem meias qualidades. Porque não existem meios valores. É-se isto ou aquilo, não adianta tentar desculpas para atitudes de meia tigela. Porque então, o menos que nos pode acontecer é cairmos no ridículo. E o ridículo, se é verdade que não mata, dói que se farta.
publicado por João Tunes às 23:42
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OS VERMELHOS DE CHE

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Se fosse fiel aos símbolos fixados da minha geração, através do culto aos seus mitos, aproveitando o bom tempo, provavelmente vestiria agora uma t-shirt com estampa de Che Guevara. Ou simplesmente com a sua singela estrela sinalética. Para condizer com a campanha. Dando-lhe cor, símbolo e sinal.

O mito de Che é, antes do mais, um dos fenómenos mais prodigiosos (e lucrativos) de marketing político. E clientes da iconografia do fenómeno serão, porventura, os mesmos que se revoltam contra a intromissão do marketing e do espectáculo na política.

Che continua a ter todos os ingredientes para ser um sucesso como produto. Pela formidável consistência da sua lenda e a capacidade potente de ela se confundir com uma realidade desejada e como panaceia que sublima desencantos, derrotas e recuos de amanhãs adiados.

Confundiu-se, na ideia sobre Che, várias mensagens. Ele teria sido o sumo-sacerdote da ideia romântica de revolução, o revolucionário da máxima generosidade, o homem que nada quis para si, nem sequer poder, um auto imolado no altar de todas as causas nobres pelos pobres, explorados e oprimidos. Teria andado pelo mundo, espalhando a boa nova e a boa acção, espalhando focos de revolta e entregando a sua vida como supremo sacrifício. Um novo Cristo, num tributo de santidade a que tantas vezes é associado.

Como se tantos componentes mitológicos não bastassem, Che era um homem bonito, muito bonito, espalhando um misticismo apostólico e sedutor.

Che, hoje como ontem, continua a servir a Cuba castrista. Na degenerescência da ditadura do tirano dinossauro das Caraíbas, cada vez mais caquético, mais psicótico, ainda mais tirano, Che é o atalho romântico e que absolve os desencantados com Fidel. Se diminui a chama do culto a Fidel, resta Che para alimentar a ideia da Cuba romântica e revolucionária.

No entanto, Che foi muitas coisas. Umas celebradas, outras esquecidas.

Che foi um revolucionário fixado na ideia da revolução. E morreu a lutar. Mas, Che foi também o arrogante racista que se desencantou com os guerrilheiros africanos porque achava que aquela gente (os pretos) não tinha competência para combater (leiam-se os relatos do encontro de Che com os dirigentes da Frelimo). Che foi um autoritário derrotado e um desesperado pela sua utopia quando resolve empreender aventuras e não consegue ler o alheamento e a antipatia dos camponeses bolivianos (leia-se o seu diário da guerrilha boliviana e os depoimentos de seus companheiros). Mas, pior que tudo, Che também foi um carrasco e um assassino. Uma Fortaleza, após a tomada do poder pelos barbudos, dirigida pessoalmente por Che, transformou-se num matadouro onde se torturou e assassinou, sem sombra de julgamento, muitos opositores ao novo regime ou adeptos do regime deposto. Que fossem todos gusanos, o que está para verificar. Mas, mesmo que todas as vítimas de Che fossem fascistas e criminosos, ao torturá-los e fuzilá-los sumariamente, Che tornou-se pior que eles.

O vermelho que tinge a efígie de Che e dá cor de apelo nos cartazes iconográficos, aproveitando a célebre fotografia de Korda, é vermelho de revolução e é vermelho de sangue. Escorre de uma revolução que ganhou e das muitas que perdeu. Escorre do sangue que derramou no seu martírio. Mas escorre também do sangue com que Che encharcou as mãos e a consciência. Porque sangue é sangue.
publicado por João Tunes às 00:09
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Sábado, 29 de Maio de 2004

ACORDAAAA FERRO, A CAMPANHA JÁ COMEÇOOOOOU !!!

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publicado por João Tunes às 23:58
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MEXIA RIMA COM BAÍA

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António Mexia, CEO da Galp, é um homem solidário com os injustamente proscritos. Ele sabe disso, por experiência projectada de um sempre adiado proscrito mas que se tem conseguido aguentar (sempre?) no balanço (de Guterres/Pina Moura a Durão Barroso/Carlos Tavares).

A Galp lançou uma colecção de "cromos da bola" a propósito da nossa Selecção e que é patrocinada pela empresa que Mexia dirige. Scolari não convoca Baía? Desforra feita. Baía está convocado por Mexia. Lá está o guarda-redes do FCP nos "cromos da selecção" dados como brinde pela Galp. A "verdadeira selecção" sempre a postos. No seu posto mais próximo. A vingança serve-se fria, até numa bomba de gasolina.

Resta saber quem pode mais: Scolari ou Mexia? Não sei não, o primeiro é estrangeiro (brasileiro), o segundo fez votos que a final do Euro 2004 fosse entre Portugal e o Brasil...

(agradeço ao Cidadão do Mundo a informação e a imagem do "cromo")
publicado por João Tunes às 00:03
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Sexta-feira, 28 de Maio de 2004

SEM IMUNIDADE

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Sem imunidade, Pinochet pode e deve pagar pelos seus crimes. Convém que arranje boas e recomendáveis testemunhas abonatórias. Juan Carlos I, por exemplo. Porque os amigos são para as ocasiões...

Justiça pelos chilenos torturados, desaparecidos e assassinados ! Justiça pela Democracia destruída por Pinochet ! Salvador Allende, Sempre !
publicado por João Tunes às 23:26
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