Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2004

PARA REFLECTIR

emiglisboa[1].jpg
("praça da jorna" de trabalhadores imigrantes em Lisboa)




Dá que pensar o relatório do Conselho da Europa e que apresenta indicadores sobre a evolução da população em Portugal:


- Em 2050, seremos menos um milhão de portugueses.


- Haverá, também em 2050, 2,5 idosos por cada jovem.


- Em 2002, o crescimento da população foi de 0,75% (os imigrantes contribuíram com 0,68% e os nacionais com apenas 0,08%).


- Em 2002, havia 238.746 estrangeiros a viver em Portugal (mais 14.770 que em 2001), correspondendo a 2,3% da população total.


Tendemos pois a transformar-nos num país cada vez mais habitado por velhos e por estrangeiros.


A relação idosos/jovens deve-se ao aumento do horizonte de vida e à baixa natalidade. Se o primeiro factor é positivo, a que se deve o segundo? O factor de falta de confiança no futuro não terá influência?


Quanto ao peso crescente do peso de estrangeiros a viver em Portugal, ele deve-se à fuga de economias deprimidas (África, Brasil e Europa de Leste). Uma cultura ainda arreigada de povo de emigrantes estará preparada para adoptar pacificamente uma situação de passagem a país de imigrantes?



Não tenho respostas sobre as questões levantadas. Tenho dúvidas e preocupações. Certeza só uma: não devemos passar-lhes ao lado. A menos que se queira deixar andar para a malta fixe vir a ter bons pretextos para organizar brutas manifs contra o racismo, a xenofobia e a exclusão social.
publicado por João Tunes às 17:26
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QUESTÃO DE FOBIAS

2boys2mommies_8558[1].jpg





Serzedelo falou como entendido e foi taxativo:



“Os estudos sobre homoparentalidade afirmam que as crianças desses pais crescem bem, com todo o amor e carinho, são estatisticamente tão heterossexuais como os filhos de pessoas heterossexuais, e têm até a vantagem de construírem modelos de masculino e feminino e de união familiar mais ricos e diversos do que as crianças que convivem só com famílias heterossexuais.”



Está-se mesmo a ver que os que discordaram desta homilia serão, para o líder gay, homofóbicos sem direito a voto na matéria.



Eu não sou homofóbico, mas discordo. Porque acho que a tirada de Serzeledo é uma patranha prosélita de corporativismo dos elitistas da diferença.



Mas confesso: Assumo que sou serzedelofóbico. Prefiro Luis Villas-Boas.
publicado por João Tunes às 15:40
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É A CRISE ...

Pois é. Empregados tem. Produtos também. Faltam é os clientes.



precisase[1].jpg



Imagem gentilmente enviada pela minha blogamiga Deméter.
publicado por João Tunes às 00:22
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2004

PARECENÇAS ENTRE CÃES E DONOS

Adorei a última ilustração do tema que foi feita pelo Blog do Alex. Simplesmente deliciosa. Agradeço ao Alex a paciência e a pesquisa que tem andado a fazer para dar continuidade a uma das minhas angústias expressas num post atrasado. Abraço.



semelhancas16[1].jpg
publicado por João Tunes às 23:43
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2004

SOMOS

bp[1].gif


Somos um povo de extremos.



Abunda quem trate os vivos como calha mas chore baba e ranho quando eles morrem.



Ainda se cospe para o chão mas muitos se incomodam se alguém se ri.



Há quem se choque com um beijo entre namorados mas desculpe uma ida às putas.



Andámos a explorar africanos durante séculos mas grita-se que a descolonização foi um crime.



Há quem assine um abaixo-assinado a favor do aborto e faça festa à porta do tribunal porque um juiz absolveu “por falta de provas”.



No Porto, são mais os que celebram Mourinho que Siza Vieira.



Em Lisboa, um adolescente retardado ameaça ser candidato a Presidente da República, enquanto tenta deitar abaixo a estátua do Marquês, mas há quem diga que ele fala bem e com graça.



Não gramamos os espanhóis mas há quem defenda que Portugal devia ser uma província de Espanha.



Gostamos dos brasileiros e das brasileiras mas há quem defenda que eles e elas deviam voltar para o Brasil.



Embirra-se com o Alberto João Jardim mas há quem ache imensa graça à Odete Santos.



Somos pelas liberdades mas há quem diga que em Cuba há democracia.



Acha-se Louçã como o político mais inteligente mas não se quer o indivíduo no governo.



Compram-se roupas aos ciganos mas não se querem os seus filhos nas escolas das “nossas crianças”.



Sabemos que estamos na cauda da Europa mas temos cá o Euro 2004.



Somos um povo plural.
publicado por João Tunes às 02:17
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VILLAS-BOAS, O CARMO E A TRINDADE

ba_gaymarriage136pc[1].jpg



Li a notícia e fiquei à espera que caísse o Carmo e a Trindade. Caíram mesmo.



DEMITA-SE, DEMITA-SE, DEMITA-SE, foi o mais simpático que se disse sobre a posição de Luís Villas-Boas, psicólogo clínico, director do Refúgio Aboim Ascensão em Faro e presidente da Comissão de Acompanhamento da Lei de Adopção, sobre a adopção de crianças por casais homossexuais.



HOMOFÓBICO, HOMOFÓBICO, HOMOFÓBICO, gritaram os mais exaltados.



Os argumentos apresentados por Villas Boas são sustentados e discutíveis. Porque tudo ou quase tudo é discutível na dialéctica das opiniões.



Mas o problema das opiniões de Villas Boas é que mexeu num dos mais modernos dogmas da sociedade ilustrada e colidiu de frente com a miríade de organizações homossexuais mais aquelas que lhes dão abrigo partidário. Porque, na esquerda chique, a homossexualidade anda a vingar-se de séculos de perseguição através da ostentação de direitos adquiridos e a adquirir até que a homossexualidade seja um tabu (outra vez, mas agora no sentido da sua exaltação) e um emblema. E sabemos todos que o estatuto adquirido pelo lobby dos gays chiques nada tem a ver com a sociedade portuguesa e tem sido conquistado, passo a passo, à margem dos valores interiorizados pela sociedade, pela porta legislativa e em salões partidários. Porque, entre ilustrados, é de bom tom defender TUDO para os gays, caso contrário, leva com o labéu de homofóbico e está arrumado. E, pelos vistos, o lobby não vai descansar até que a vergonha de ser homossexual dê lugar à vergonha de ser heterossexual.



Villas Boas disse coisas quase de bom senso. Toda a gente sabe que a educação e o crescimento da personalidade de uma criança se faz frente e com dois modelos diferenciados. Se um dos pólos dos modelos é uma representação do outro modelo e a percepção da diferença desaparece, a liberdade de crescer e de optar fica gravemente diminuída.



Mas Villas Boas decerto sabia que iria ter mais insultos que discordâncias. Não é politicamente correcto colidir com o verniz do lobby gay. Nisto, demonstrou coragem. Espero bem que se aguente no balanço e não se demita. Porque não devem haver posições definitivas e obrigatórias. Os problemas de que falou o psicólogo dizem respeito a toda a sociedade e devem ser discutidos antes de alterações legislativas e sem medo do puxar de gatilho da guarda pretoriana das verdades chiques. Sem receio de tabus.
publicado por João Tunes às 01:22
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2004

AUGUSTO CABRITA

Para mim, os fotógrafos são poetas da imagem. Assim, sou de opinião que, sendo um país de bons poetas, também somos um país de excelentes fotógrafos.



Quando miúdo, vivendo no Barreiro, volta e meia tinha de ir tirar as tais fotografias tipo passe. Não tinha escolha de fotógrafo. A família toda era obrigada a recorrer a um que tinha estabelecimento montado junto à Sociedade Os Penicheiros. Questões de amizade, está visto. Eu lá ia, tinha que ser, molhando constantemente a mão e a passá-la pelo remoinho no cabelo para ficar menos mal no retrato.



O fotógrafo era o Senhor Cabrita. Tratava-me simpaticamente e procurava pôr-me à vontade, trocando impressões sobre como iam as coisas no nosso Barreirense. Era um homem de riso aberto e com um olhar que se via que estava para além do pequeno estabelecimento onde ele ganhava a vida. Enquanto vivi no Barreiro, nunca recorri a outro fotógrafo que não fosse o Senhor Cabrita.



Mais tarde, o Senhor Cabrita, melhor dizendo - Augusto Cabrita, galgou espaços para além da sua lojeca e do mundo das fotografias tipo passe, desatou a fotografar por aí fora, tornou-se reconhecido, começou a recolher prémios e a tornar-se famoso. Fez nome no cinema (no Belarmino do Fernando Lopes) e na televisão através de inúmeras reportagens. De fotógrafo passou a Artista. Foi, apenas, um dos melhores fotógrafos portugueses de todos os tempos.


Já desaparecido há vários anos, Augusto Cabrita tem lugar de destaque na memória cultural do Barreiro que, muito justamente, deu o seu nome a uma Escola Secundária no Alto do Seixalinho. Pela forma como Augusto Cabrita se relacionou jovialmente com a juventude, dificilmente se encontraria outro nome mais indicado para uma escola.



A fotografia de Augusto Cabrita com o rosto de um velho fragateiro tornou-se uma das imagens de marca da fotografia portuguesa. Permitam que a traga à vossa companhia.








23fotg[1].jpg
publicado por João Tunes às 13:02
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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2004

MENTIRAS COM TORRE E ESPADA

comsop4[1].jpg



O tema da descolonização promete continua a fazer correr muita tinta. Temos por aí um fartote de aproveitamento da nesga aberta pela demagogia imperial de Paulo Portas.



A exaltação neo-imperial fez com que um jovem político com maneiras de menino mal criado chamasse “criminoso” a Mário Soares referindo-se à sua participação no processo de descolonização. Foi um insulto e um sinal para que avançasse a arruaça dos boçais com ajustes de contas adiados mas não esquecidos.



È claro que os arruaceiros puros e duros não iam desperdiçar a oportunidade.



Um fascista, de Torre e Espada ao pescoço, antigo comandante de uma rede bombista, dirigente de uma invasão (e de um fiasco) a um país soberano e que se encontrava na sede da PIDE em 25 de Abril de 1974 (são cada vez mais consistentes os indícios que indicam que ele se preparava para tomar o lugar de Silva Pais à frente da Polícia Política) anda para aí a reescrever a história da guerra colonial.



Em entrevista dada à Lusa na Guiné-Bissau (!), Alpoim Calvão edita uma nova história da guerra colonial ali travada entre 1963 e 1974. Guerra esta, convém recordar, que encharcou aquela terra com as dores, os cadáveres e a mutilação de uma parte importante da nossa juventude e da juventude guineense.



Segundo Alpoim, Salazar não queria a guerra mas sim a paz e, já em 1963, estava disposto a conceder a autonomia e a independência à Guiné-Bissau. As culpas pelo que se passou chamam-se Amílcar Cabral (um racista, segundo Alpoim) e PAIGC, em conluio com a ONU e a OUA. Eles é que não quiseram comer à mão de Salazar e eles é que impuseram a guerra. Depois, Alpoim lamenta a actual situação na Guiné-Bissau por ter escolhido Amílcar e o PAIGC e não Salazar.



Quanto à descolonização e a Mário Soares, Alpoim faz um jogo de palavras e segue na peugada do político do CDS/PP. Diz ele, mais “comedido” que Pires de Lima, que Soares foi “negligente” e conduziu o processo de uma forma “quase criminosa”.



Alpoim devia ter confessado que foi um militar derrotado. Tendo perdido a guerra contra o PAIGC, devia ter feito continência aos vencedores e ater-se à honra dos vencidos. Não o fez, não o fará. Em vez disso, o mais provável é que continue a mentir. E mentir será coisa de somenos para quem matou portugueses à bomba e esteve quase, quase, a gerir as salas de tortura da PIDE. Ao menos, que tire a Torre e Espada do pescoço quando mente.
publicado por João Tunes às 19:57
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APROVEITAR ENQUANTO AINDA SE PODE FUMAR NA RUA ...

Kiev134.3[1].jpg
publicado por João Tunes às 12:43
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A ISABEL OPINOU

A minha blogamiga Isabel comentou um post que coloquei sobre a blogosfera. O comentário merece destaque. Aguardam-se novas opiniões.




“Como se sabe, descascar nos outros é um desporto nacional - não conheço um português que resista à criação dos nossos carinhosos "ódios de estimação". Vejo a blogosfera como um espaço que tem que ser plural, e a debandada da direita preocupa-me - não gosto de canções a uma só voz. Por outro lado, reconstruir a esquerda é outra história: adaptar ideologias ao nosso século (coisa que a direita também precisa urgentemente de fazer) não é tarefa fácil, principalmente quando ainda não conseguimos vislumbrar todas as tendências da nossa nova época. Pensando em soluções mais práticas do que a construção de novas ideologias, acho que a crise em Portugal poderia ser eliminada através destas 3 medidas simples, embora radicais: 1. distribuição gratuita de prozac (dose redobrada para os nossos governantes e oposição) 2. aumento geral de salários em 20% 3. mandar o Pacto de estabilidade ir dar uma volta Afinal, o Euro2004 está à porta e ninguém quer fazer má figura!”
publicado por João Tunes às 12:20
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