Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2004

CROQUETE DE SNACK

A posição de Freitas do Amaral sobre a IVG é típica dos “arrependidos”. E inscreve-se na linha do fariseísmo da hierarquia católica ao mandar uns bispos darem uma no cravo para outros darem na ferradura (veja-se a recente entrevista com Dom Januário).



Alguns daqueles que fizeram um movimento de deslocação partidária arrastam raízes que não querem perder e vontade de sinalização no novo espaço que querem ocupar. É dos livros. O problema é quando, na gestão de uma situação de suposto desconforto, querem sair pela porta grande como se tivessem encontrado o ovo de Colombo. Então há uma enorme tendência para a hipocrisia.



Há muito que Freitas se tenta livrar da marca do lugar que ocupou na política portuguesa a seguir a 1974 e sobretudo do ferrete de “candidato do fascismo” quando enfrentou Mário Soares nas eleições para PR. Passo a passo, Freitas procura um lugar de conforto e prestígio, algures no Centro, numa posição que seja aceite pelo centro/direita e pelo centro/esquerda. O slogan do Centro que, no CDS, era uma pública aldrabice de propaganda e de camuflagem, continua a servir a Freitas para representar o desígnio de dar a entender que agora é mesmo para valer.



Freitas estuda as posições do espectro e, volta e meia, tira da cartola uma posição de veludo, equidistante dos desgastes das posições à esquerda e à direita e entra em cena com o seu porte de grande senhor capaz de fazer a síntese dos contrários, moderando os excessos. Mais uma vez e quanto à IVG, foi o que Freitas quis representar.



O resultado freitista, como sempre, é não ser carne nem peixe, antes pelo contrário. No caso da IVG, saiu um croquete de snack. Mantenha-se a criminalização da IGV, despenalizem-se as mulheres que a praticam. Em futebol, tratar-se-ia da táctica da defesa do empate como caminho para a glória dos campeões.



Ou muito me engano ou, mesmo assim, não é assim que Freitas vai conseguir ser candidato presidencial com o apoio de Mário Soares. Projecto que parece ser o seu sonho e a sua obsessão. Tentando matar a memória (e a realidade) da dicotomia direita/esquerda pela exaltação metafísica do sonho do Centro como sede do Bem.
publicado por João Tunes às 00:25
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