Segunda-feira, 22 de Novembro de 2004

ESPANHA – GUERRA CIVIL (3)

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A BATALHA DO EBRO

A Batalha do Ebro foi a mais trágica, mais mortífera e decisiva de todas as grandes batalhas travadas durante a Guerra Civil de Espanha. Foi lá que a guerra se decidiu.

Em meados de 1938 (a guerra iniciara-se em Julho de 1936), os fascistas espanhóis, depois de derrotarem os governamentais na frente de Aragão, ocupando Lleida, cortaram ainda a ligação da Catalunha ao Levante ao conquistarem Castellón. Como território da República, restavam a Catalunha (a leste de Lleida) e a zona Madrid-Valencia, separadas entre si. Franco já decidira que Madrid ficava para o fim (seria a cereja em cima do bolo, depois das tentativas goradas de a tomar), tratava agora de dar os golpes finais, primeiro ocupando Valência e depois o que faltava da Catalunha. Madrid cairia de podre. Para mais, tinha superioridade em homens, material, apoio internacional, vontade ofensiva.

O governo espanhol (então sediado em Barcelona, depois de já ter saltado de Madrid para Valência), conseguiu essa coisa espantosa que foi dar um golpe contra-ofensivo poderoso num projecto aventureiro de tudo-ou-nada, homérico de esforço, pleno de vigor do desespero, atacando Franco, atravessando o Ebro e combatendo os franquistas na margem direita do rio (zona montanhosa), tentando ter a iniciativa e aliviando as pressões e os avanços sobre Valência e Barcelona. Tudo foi mobilizado neste combate em que se incorporaram os jovens a partir dos dezassete anos (constituintes do chamado “Batalhão do Biberão”).

Usando a surpresa, os republicanos passaram o Ebro para Sul em Junho de 1938. Deram-se na margem direita os mais encarniçados combates de toda a guerra e ali se consumiram milhões de toneladas de metralha, disputando-se terreno montanhoso palmo a palmo. Os republicanos, primeiro vencedores e depois vencidos (numa luta desigual em meios e com o rio na rectaguarda) voltaram a atravessar o rio em retirada em Novembro desse ano. Na pequena faixa de terreno disputado, ficaram 100.000 mortos de ambos os bandos. E ficou a derrota sem apelo da República. Em Fevereiro seguinte, Franco ocupava a Catalunha para em Março fazer a entrada triunfal em Madrid.

Os fascistas constituiram, com prisioneiros republicanos, um Batalhão Disciplinar que recolheu todos os mortos franquistas no campo de batalha para lhes dar sepultura condigna e honra de heróis. Ainda hoje, por montes e vales da margem direita do Ebro se tropeça em ossos, caveiras e vestígios dos corpos dos republicanos ali caídos, para além do muito material bélico ainda por lá espalhado. Passados sessenta e seis anos, aqueles combatentes, muitos ceifados com dezassete anos por defenderem uma democracia, ainda não têm direito ao seu nome numa sepultura.

(na foto, uma imagem da Batalha do Ebro)
publicado por João Tunes às 16:37
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