Sexta-feira, 19 de Março de 2004

PARA NÃO DIZEREM QUE NÃO FALO EM MOCHILAS

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As pobres e úteis mochilas tornaram-se, agora, um detonador de pânico. Para uns, porque, para outros, é motivo de risada. Num caso e noutro, as desgraçadas não estão a ter vida fácil.

O certo é que passámos a estar atentos às mochilas. Sobretudo se estas resolverem fartar-se das costas do dono e decidirem repousar e apanhar um banho de sol. Ou encostaram-se solitárias a um canto de uma estação de metropolitano para pensarem na vida e na sua triste sina de serem estivadores por conta alheia.

Antes, olhadas como objecto útil e estimável, são agora vigiadas e mal amadas. Agora se alguém se sentar sossegado num banco de comboio e quiser descansar as costas, dando também descanso à diligente mochila, o mais certo é receber um olhar de desconfiança feroz do vizinho e arrisca-se a ouvir “Esta mochila é sua? Então não se importa de a chegar para lá?”.

É assim a vida, tão depressa se está na mó de cima como na mó de baixo. Se isto acontece ao comum dos mortais porque é que a desdita da montanha russa dos prestígios e repulsas não havia de chegar às ditas cujas?

Os portugueses têm agora uma relação dividida para com as mochilas e para com o tratamento de segurança que elas estão a ter. Certo e sabido que se se encontrar uma mochila abandonada, alguém vai gritar “o que é anda a polícia a fazer que não rebenta com esta porcaria?” mas se a bófia vier com as suas traquitanas, mandar evacuar o local e fizer a mochila em fanicos, há-de aparecer alguém perdido de gozo “estes gajos estão paranóicos, não havia necessidade de darem cabo dos cadernos, dos pensos higiénicos e do telemóvel da rapariga!”.

Pelo sim e pelo não, vou deixar de andar com a minha mochila (desculpa pá, mas vais tirar licença sabática). Apenas porque não é a primeira vez que, distraído como sou, me esqueço dela quando resolvo descansar as pernas. E quando voltasse a procurá-la, o mais provável é que a prestimosa tivesse já dado um estoiro. Não que eu seja homem de bombas ou de fogo de artifício mas porque, espero bem, os profissionais das Minas e Armadilhas não brincam em serviço.
publicado por João Tunes às 14:34
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