Quarta-feira, 31 de Março de 2004

SAIR DE TETE

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Tete é uma cidade incrivelmente quente e sufocante. E é (ou está) incaracterística e feia. Ali, a agressividade do sol não permite que se desdobrem nas ruas os vagares africanos. Tudo anda rápido, procurando sombra ou ar condicionado. Mas é muito povoada, porque se situa estrategicamente no coração da rota do Zambeze. Como em todas as cidades moçambicanas, a degradação das infra-estruturas e dos edifícios da urbe é acentuada e dá-lhe um ar de decadência que parece não ter retorno. Felizmente, a demora é curta e o regresso a Maputo está por horas.

Mas não se apanha um voo de Tete para Maputo assim com duas cantigas. A corrupção que corrói Moçambique e tantos outros países africanos, espreita a cada esquina. Sabíamos que ter bilhete de avião com reserva feita, não é prova segura de viagem garantida. O hábito é que um ou outro endinheirado sem reserva feita estenda umas tantas notas à balconista da LAM e passe a ter garantia de lugar. Convém, pois, chegar-se ao Aeroporto com bastante antecedência. A nossa carrinha circula devagar, a uns trinta quilómetros à hora, na estrada plana que liga Tete ao Aeroporto. O motorista explica que tem de ir assim porque ali a velocidade máxima é de quarenta quilómetros por hora. A meio do caminho, um polícia de farda branca e enorme boné manda-nos parar. Pede os documentos ao motorista e mostra um aparelhómetro mal definido (parecia um microfone de televisão, se calhar era mesmo) onde se acusaria excesso de velocidade pois estaríamos, segundo ele, a andar a sessenta quilómetros por hora. Gera-se o pandemónio com a vigarice e os possíveis efeitos do atraso mas o polícia não desarma e mostra inflexibilidade em não dispensar os proventos do dinheiro da multa. Às tantas, alguém mostra um cartão (de “patrocinador” da Polícia de Moçambique com foto, lista em diagonal, carimbo e assinatura) que assusta o homem e o leva a resolver deixar-nos seguir com o extra de direito a continência.

Na chegada ao Aeroporto de Tete, o temido confirma-se porque os nossos lugares (reservados e confirmados) já haviam sido transaccionados com uns negociantes indianos. Novo banzé, até que o desenrascado do cartão que intimidara o polícia de trânsito, invoca amizade pessoal com o Presidente da LAM e pede para lhe ligarem o telefone. Rapidamente tudo se compôs para evitar o indesejado telefonema. Os negociantes indianos foram repescados da sala de embarque e entrámos nós para ocupar os lugares a que tínhamos direito.

O fresco do turbo-hélice soube mesmo a fresco. Grande LAM.
publicado por João Tunes às 12:42
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